A Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu na tarde desta segunda-feira, 23 de setembro, oito mandados de busca e apreensão com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de fraudar certames de interesse público. As ordens judiciais foram executadas nas cidades de Tapejara, Londrina, Maringá e Ponta Grossa, marcando um importante passo na investigação que começou após a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) identificar indícios de irregularidades na avaliação Prova Paraná Mais 2025.
Conforme a delegada da PCPR, Taís Mendonça de Melo, sete alunos obtiveram aprovação de forma irregular no exame, cujos resultados são utilizados como critério classificatório para ingresso em instituições públicas de ensino superior do estado por meio do programa Aprova Paraná Universidades. Entre os investigados, cinco conseguiram ingressar no curso de medicina em universidades estaduais, incluindo a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
"O esquema envolveu estudantes de uma escola estadual de Tapejara. A fiscal responsável pela aplicação da prova na sala também é alvo das investigações e das medidas de busca, sob suspeita de facilitar ou se omitir durante a realização do exame", explicou a delegada Taís Melo. A investigação teve início após a Seed analisar os resultados da Prova Paraná Mais e identificar situações fora do padrão. Em uma mesma turma, alunos apresentaram pontuações próximas entre si, com mais de 95% de acertos nas questões objetivas e desempenho inferior na redação.
Ao comparar esses resultados com o histórico escolar dos estudantes, foi verificada incompatibilidade com as notas e o rendimento apresentados ao longo dos anos. Diante dos indícios, o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, entrou em contato com o delegado-geral da PCPR, Silvio Jacob Rockembach, para solicitar a abertura de investigação e a adoção de providências.
Durante as investigações conduzidas pelo delegado Thiago Vicentini de Oliveira, a PCPR constatou que dois candidatos utilizaram telefones celulares de forma oculta nos dois dias de prova. "Eles pesquisaram respostas e as repassaram aos demais envolvidos por meio de anotações", informou o delegado. A descoberta reforça a tese de um esquema organizado para burlar as regras do certame.
Segundo o diretor de Educação da Seed, Anderfabio Oliveira, o programa Aprova Paraná Universidades é conduzido com base em critérios técnicos e conta com mecanismos de verificação que asseguram a confiabilidade dos resultados e a integridade do processo. "A Secretaria de Educação informa que situações que contrariem as regras serão tratadas com a adoção de medidas administrativas e legais cabíveis", explicou.
A Seed ainda declarou que não haverá flexibilização diante de condutas que comprometam a igualdade de condições entre os estudantes e que seguirá acompanhando o caso e colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação. A Secretaria de Educação reafirma seu compromisso com a lisura, a transparência e a credibilidade do Aprova Paraná Universidades, um programa que visa garantir o acesso democrático ao ensino superior no estado.

