Pela primeira vez em seus 78 anos de existência, a Polícia Científica do Paraná (PCIPR) passa a contar com armamentos específicos para uso de seus policiais científicos durante atendimentos a locais de crime e em atividades que exigem maior grau de segurança. A medida, considerada um marco institucional, busca equilibrar a proteção dos servidores com a manutenção do caráter técnico e pericial que sempre caracterizou a instituição.
O diretor-geral da PCIPR, Ciro Pimenta, explica que a iniciativa faz parte de um processo mais amplo de fortalecimento da polícia científica. "A Polícia Científica do Paraná tem passado por avanços significativos nos últimos anos, com investimentos na valorização dos profissionais, na ampliação da estrutura e na modernização dos equipamentos utilizados no trabalho pericial", afirma Pimenta. Segundo ele, esse processo reflete o compromisso do Estado com a qualidade e a segurança da atividade científica aplicada à investigação criminal.
O investimento de R$ 596 mil, realizado pelo Governo do Estado através da Secretaria da Segurança Pública (SESP), foi entregue durante a abertura do programa Verão Maior Paraná. Os recursos foram destinados à aquisição de 300 pistolas calibre 9 mm e cinco fuzis de calibres 7,62 x 51 mm e 5,56 x 45 mm. As pistolas serão utilizadas para segurança pessoal, escolta, proteção de instalações e apoio às atividades operacionais, enquanto os fuzis, de maior poder de fogo e precisão, estão destinados a ações táticas específicas, operações especiais e suporte a equipes em ocorrências de maior complexidade e risco.
O uso dos armamentos segue critérios técnicos rigorosos e está diretamente associado a um programa de capacitação permanente. "O treinamento contempla o manuseio seguro, a manutenção e a correta aplicação do armamento, sempre em conformidade com normas de segurança e com a legislação vigente", detalha nota da PCIPR. Além do uso operacional, os equipamentos também serão empregados em atividades de instrução técnico-pericial, treinamento operacional e apoio à pesquisa, contribuindo para o desenvolvimento de novas metodologias científicas.
A medida surge em resposta a um cenário de criminalidade cada vez mais complexo, onde os policiais científicos frequentemente atuam em locais de crime que podem apresentar riscos imediatos. Até então, os peritos da PCIPR dependiam exclusivamente do apoio de outras forças de segurança, como a Polícia Militar e a Polícia Civil, para proteção durante seus trabalhos. Agora, em situações específicas e com treinamento adequado, poderão contar com recursos próprios de segurança.
Pimenta ressalta que a iniciativa fortalece a atuação integrada com outras forças de segurança, "impactando diretamente na qualidade do serviço prestado à sociedade paranaense". A integração entre as polícias tem sido uma marca da segurança pública no Paraná, estado que lidera nacionalmente em apreensões de drogas segundo dados recentes.
A PCIPR, criada em 1946, é responsável pela produção de provas técnicas em investigações criminais através de perícias em locais de crime, exames laboratoriais e análises especializadas. Com mais de 1.800 servidores, a instituição atua em todas as regiões do estado, prestando serviços essenciais para a elucidação de crimes e a produção de provas para o sistema de justiça criminal.

