Um piloto foi preso nesta segunda-feira (9) dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, suspeito de liderar uma rede de exploração sexual de menores. A prisão ocorreu durante a operação Apertem os Cintos, que também prendeu duas mulheres acusadas de vender crianças para o criminoso. Segundo a polícia paulista, o homem é o principal responsável por uma organização dedicada à pedofilia e à pornografia infantil.

De acordo com a delegada Ivalda Aleixo, que lidera as investigações, o caso começou a ser apurado há três meses. "Esta é uma investigação que começou há três meses e tudo aponta que ele é o líder, o dono dessa rede de exploração e de pornografia infantil", afirmou ela em entrevista coletiva. A polícia identificou que o suspeito mantinha contato direto com as vítimas, levando-as para motéis com documentos falsos que as apresentavam como maiores de idade.

Uma das vítimas, segundo a delegada, começou a ser abusada aos 8 anos e hoje tem 12. "Ele tinha contato com algumas das vítimas e as levava para motel, com RG de pessoas maiores de idade. Uma delas ele começou a abusar com 8 anos. Hoje ela já está com 12 anos", relatou Ivalda Aleixo. A polícia também revelou que o criminoso batia nas crianças, deixando uma delas "toda machucada" após uma agressão em um motel na semana passada.

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Além do piloto, a operação prendeu duas mulheres que atuavam como facilitadoras dos crimes. Uma delas é uma avó que "vendeu" três netas para o suspeito, e a outra é uma mãe que cedeu a própria filha, sabendo dos abusos. A mãe ainda auxiliava o homem, enviando fotos e vídeos da menina. "Quando ele tinha contato físico com essas crianças, ele as estuprava", destacou a delegada.

O criminoso usava diversas estratégias para ter acesso às crianças, incluindo contato direto com mães e avós das vítimas. Ele se apresentava como alguém que "gostava de crianças especificamente", embora também se relacionasse com mulheres adultas para chegar até as menores. Em troca das vítimas, fazia pagamentos simbólicos às responsáveis, que variavam de R$ 30 a R$ 100. Além disso, comprava medicamentos, pagava aluguéis e chegou a adquirir um aparelho de televisão para as famílias.

Até o momento, a polícia identificou dez vítimas, mas investigações preliminares indicam que há dezenas de outras crianças aparecendo em fotos e vídeos encontrados no celular do piloto. A maioria delas tem entre 12 e 13 anos. A delegada ressaltou que a polícia continua investigando e entrará em contato com outras possíveis vítimas.

A prisão no aeroporto foi planejada devido à rotina profissional do suspeito, que dificultava localizá-lo em sua casa, localizada em Guararema, na Grande São Paulo. "Optamos por pedir a escala dele para a empresa e aí identificamos que faria um voo hoje. Ele já estava lá, dentro do avião", explicou a delegada. O homem, que é casado pela segunda vez e tem filhos do primeiro casamento, foi abordado pela polícia ainda dentro da aeronave.

A atual esposa do piloto, uma psicóloga, compareceu à delegacia e, segundo Ivalda Aleixo, "se mostrou horrorizada" com as acusações, sem ter conhecimento das atividades criminosas do marido. O caso reforça a importância de denúncias contra crimes de pedofilia, que podem ser feitas pelo Disque 100, canal que registrou aumento nas ocorrências em agosto. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a "ronda virtual" para combater a pornografia infantil na internet.