O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta quarta-feira (12) sua atuação no processo da trama golpista durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que analisa sua recondução ao cargo por mais dois anos. Em resposta a críticas de senadores aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que classificaram o julgamento como perseguição política, Gonet afirmou: "Não há criminalização da política em si. Sobretudo, a tinta que imprime as peças produzidas pela Procuradoria-Geral da República não tem as cores das bandeiras partidárias".
O processo, que condenou Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, teve amplo uso de acordos de não persecução penal para investigados que reconheceram o erro e se comprometeram com reparação. Até 23 de outubro, 568 investigados se beneficiaram desses acordos, enquanto 715 foram condenados e houve 12 absolvições, a maioria a pedido do Ministério Público Federal. Gonet destacou que 606 processos ainda estão em andamento, representando 32,3% do total, e que os números confirmam o acerto da atuação da PGR na maioria dos casos encerrados.
Senadores como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticaram duramente a atuação de Gonet, acusando-o de "esculhambar" o Ministério Público e de cumprir ordens do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do processo. Flávio também defendeu o irmão, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado pela PGR de obstrução da Justiça por promover campanha nos Estados Unidos por sanções contra ministros do STF e a economia brasileira. Em resposta, Gonet reafirmou que suas decisões são baseadas em avaliações detalhadas e respeitosas, sem motivações partidárias.
Além do caso da trama golpista, o procurador-geral citou sua atuação em outros processos importantes, como o escândalo dos desvios no INSS, o acordo sobre o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) e o combate ao crime organizado. Gonet enfatizou que suas manifestações se restringiram aos autos dos processos, evitando vazamentos ilegais e comentários públicos, e que o sigilo judicial foi sempre obedecido.
Durante a sabatina, Gonet recebeu apoio da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que enviou carta favorável à sua recondução. No entanto, Flávio Bolsonaro questionou a legitimidade desse apoio, afirmando que não há vergonha na classe em tê-lo à frente da carreira. A sabatina segue como parte do processo de análise para a renovação do mandato de Gonet, com debates que refletem as tensões políticas em torno do julgamento da trama golpista no STF.

