A Polícia Federal (PF) encaminhou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (18), solicitando autorização para interrogar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é questioná-lo sobre documentos e bens que foram encontrados em dois cofres no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
De acordo com a PF, a corporação foi acionada pela Presidência da República, e os cofres foram abertos no dia 25 de junho deste ano. Durante a operação, os agentes federais localizaram documentos pessoais e outros bens pertencentes ao ex-presidente. Diante da descoberta, a polícia argumenta que é necessário ouvir Bolsonaro para esclarecer a propriedade e a origem desses itens.
Em seu pedido, a PF afirma: "Faz-se necessária a realização de oitiva do mesmo, para que se manifeste sobre a propriedade e origem de tais bens". A intenção é que o depoimento seja tomado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, local onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. A condenação foi aplicada na ação penal relacionada à trama golpista, que investigou tentativas de desestabilizar o governo após as eleições de 2022.
Este não é o primeiro pedido envolvendo o ex-presidente diante do ministro Alexandre de Moraes. Recentemente, o magistrado autorizou que Bolsonaro realizasse sessões de fisioterapia na prisão, atendendo a uma solicitação da defesa. Além disso, Moraes encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um laudo que apontou violações no uso da tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente, antes de sua prisão.
A situação dos cofres no Palácio da Alvorada ganhou destaque após a mudança de governo, quando a nova administração iniciou procedimentos de vistoria e entrega dos imóveis oficiais. A descoberta dos itens levou a PF a abrir um inquérito para apurar se há irregularidades ou se os bens deveriam ter sido removidos anteriormente. O pedido de interrogatório reflete a necessidade de ouvir Bolsonaro diretamente, já que ele é considerado a pessoa mais indicada para fornecer informações sobre os documentos e objetos encontrados.
O caso ocorre em um contexto de intensa movimentação jurídica em torno do ex-presidente, que enfrenta múltiplos processos no STF e em outras instâncias. A autorização de Moraes para o interrogatório ainda está pendente, e a decisão deve considerar aspectos como a segurança e a logística para a realização da oitiva na prisão. Enquanto isso, a defesa de Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre o pedido da PF, mas é esperado que apresente argumentos no decorrer do trâmite legal.
A Polícia Federal reforçou que o procedimento segue os protocolos normais de investigação, visando esclarecer fatos e garantir a transparência. A corporação tem atuado em várias frentes relacionadas a investigações sobre o período pós-eleitoral, e este novo capítulo pode trazer mais elementos para as apurações em curso. A sociedade aguarda os desdobramentos, que devem influenciar o andamento de outros processos judiciais envolvendo o ex-presidente.

