A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (24) uma operação para desarticular um grupo criminoso especializado na comercialização de combustível para garimpos ilegais dentro da Terra Indígena Sararé, localizada no estado de Mato Grosso. As investigações, que se estenderam por 21 meses, revelaram que a organização adquiriu e revendeu mais de 4 milhões de litros de óleo diesel, abastecendo maquinários de grande porte utilizados na extração ilegal de minérios.
Durante a ação, batizada de "Sararé", os policiais federais cumpriram três mandados de prisão preventiva e de buscas e apreensão. Os alvos são considerados os líderes da organização e foram localizados nos municípios de Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Aripuanã, todos em Mato Grosso. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Cáceres.
De acordo com a PF, em uma das diligências, "foi flagrado o armazenamento e a venda ilegal de óleo diesel, combustível normalmente utilizado em maquinários de grande porte, em fazenda localizada a poucos quilômetros de garimpo ilegal". No local, os agentes apreenderam 15 mil litros do combustível, que estava armazenado de forma irregular. A operação também abrangeu postos de abastecimento legalizados nos municípios de Conquista d'Oeste e de Pontes e Lacerda, além de outras propriedades rurais que possuíam reservatórios clandestinos.
A investigação teve início a partir de uma fiscalização de rotina realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A ação contou com apoio logístico e de segurança da própria PF e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para garantir a proteção dos agentes durante as inspeções em áreas de conflito e de difícil acesso.
O caso evidencia a complexa rede que sustenta o garimpo ilegal no país, atividade que frequentemente invade terras protegidas. Dados recentes mostram que o problema é extenso: uma pesquisa revelou que 60% dos quilombos no Brasil sofrem com invasões e garimpo, enquanto um estudo mapeou os graves impactos sociais e de saúde sobre trabalhadores cooptados por essas atividades. Além disso, estima-se que apenas 9,5% dos garimpos de ouro no país operam dentro da legalidade, um percentual que reflete a dimensão do desafio enfrentado por órgãos de fiscalização.
A operação da PF em Mato Grosso representa um golpe significativo na cadeia de suprimentos do garimpo ilegal na região amazônica. O combustível é um insumo crítico para o funcionamento de escavadeiras, tratores e outros equipamentos pesados usados na degradação ambiental. A expectativa das autoridades é que a desarticulação do grupo criminoso interrompa, ao menos temporariamente, o fluxo de diesel para os garimpos clandestinos dentro da Terra Indígena Sararé, dando um respiro à área protegida e suas comunidades.

