A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta quarta-feira (18) a suspensão do leilão de diesel e gasolina que estava previsto para esta semana, atribuindo a decisão à necessidade de reavaliar os estoques diante das incertezas no mercado internacional de petróleo. Em meio ao conflito no Oriente Médio, a estatal brasileira enfrenta desafios logísticos e de abastecimento, com seis navios de terceiros tendo seus destinos desviados após se aproximarem de portos brasileiros.

"Nós suspendemos o leilão, primeiro, porque há necessidade de reavaliar a todo momento o estoque disponível para que não entreguemos tudo em um dia e falte no dia seguinte", explicou Chambriard durante cerimônia no Rio de Janeiro para a criação do futuro Museu do Petróleo e Novas Energias. A presidente complementou: "Nós adiantamos entre 10% e 15% das nossas entregas de combustíveis. Mas as condições não permitiam mais que fizéssemos isso, sob risco de penalizar novamente a sociedade, que a gente procura resguardar das ansiedades e da volatilidade do mercado internacional".

O cenário de tensão geopolítica tem impactado diretamente a cadeia de combustíveis no Brasil. Chambriard destacou que o conflito no Oriente Médio, inicialmente visto como breve, agora tem duração incerta, afetando oferta, logística e preços. O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã – por onde passa parcela significativa do petróleo mundial – e os ataques entre Israel, Estados Unidos e países árabes elevaram a volatilidade no mercado global.

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A dependência brasileira de importações para cerca de 30% do diesel consumido aumenta a vulnerabilidade em momentos de crise. "Por que isso acontece? Porque o Estado brasileiro, em um determinado momento, decidiu que a Petrobras não ficaria sozinha nesse mercado. Decidiu, por exemplo, que nós tínhamos que vender a BR Distribuidora. Decidiu que a importação deveria ser mais forte. Uma série de decisões que funcionam em momento de estabilidade, mas, em momentos de crise, exacerbam suas fraquezas", analisou a presidente.

Na semana passada, a Petrobras já havia anunciado aumento de R$ 0,38 no litro do diesel A vendido às distribuidoras. Agora, com a suspensão do leilão e os problemas logísticos – incluindo o desvio dos seis navios que deveriam trazer derivados ao Brasil –, a empresa reforça o monitoramento constante dos estoques. "Não podemos garantir que tenham sido desviados em função de melhores oportunidades de venda em algum lugar do mundo. Isso não nos compete. O que nos compete é que todos os nossos compromissos assumidos estão sendo entregues regularmente", afirmou Chambriard sobre as embarcações.

Enquanto isso, o governo federal tenta conter a alta dos preços com medidas tributárias. Foi anunciada a suspensão das alíquotas do PIS e da Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, o que representa alívio de R$ 0,32 por litro, segundo cálculos do Ministério da Fazenda. Além disso, o governo propôs que estados e o Distrito Federal zerem temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel, com a União se comprometendo a compensar 50% da perda de arrecadação.

O petróleo Brent já supera os US$ 100 o barril no mercado internacional, pressionando os custos dos combustíveis. Para a presidente da Petrobras, o momento exige cautela e planejamento adaptativo: "É muito difícil prever o futuro. O que precisamos fazer é nos preparar da melhor maneira para enfrentar este desafio. Estamos reavaliando sempre o cenário para saber o que precisa ser feito, como evitar essa volatilidade que impacta a sociedade. E, ao mesmo tempo, honrar o investimento dos acionistas, sejam eles estatais ou privados".