O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, revelou nesta sexta-feira (9) que temeu ser capturado pelos Estados Unidos, assim como ocorreu com o líder venezuelano Nicolás Maduro no último final de semana. Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, o mandatário colombiano afirmou que uma conversa telefônica com o presidente americano Donald Trump, na quarta-feira (7), pode ter amenizado o clima de tensão entre os dois países.

"Sem dúvidas", respondeu Petro ao ser questionado se temeu que seu destino pudesse ser o mesmo de Maduro. "Nicolás Maduro ou qualquer presidente do mundo pode ser tirado [de seu governo] se não se alinhar com certos interesses", completou, em declarações que ecoam o clima de instabilidade política na região.

Na conversa com o jornal, o presidente colombiano detalhou que Trump lhe disse estar pensando em "fazer coisas ruins" na Colômbia. "A mensagem [de Trump] era que eles já estavam preparando algo, planejando uma operação militar", revelou Petro, referindo-se às ameaças que circularam após a captura de Maduro. O líder venezuelano foi sequestrado pelo governo dos Estados Unidos no sábado, 3 de janeiro, e levado preso para ser julgado pelo Tribunal Federal em Nova York, sendo substituído interinamente por sua vice, Delcy Rodríguez.

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Após o telefonema com Trump, Petro avalia que as ameaças se "congelaram", mas fez uma ressalva importante: "pode estar equivocado". Apesar de admitir o temor de um ataque, o presidente colombiano afirmou que não reforçou sua segurança pessoal ou nacional. "Aqui nem sequer existe defesa aérea. Nunca foi adquirida porque os combates são internos. Os guerrilheiros não têm caças F-16 e o Exército não possui esse tipo de defesa", explicou.

Sua única defesa, segundo Petro, é o povo colombiano. "O que usamos aqui é a defesa popular e é por isso que convoquei a resistência popular na quarta-feira", afirmou, destacando uma estratégia que difere radicalmente dos aparatos militares convencionais.

Sobre a situação na Venezuela, Petro revelou ter conversado recentemente com a presidente interina Delcy Rodríguez, de quem diz ser amigo. "Ela está sob pressão tanto interna quanto externa. Foi acusada de traição. Ela vê a necessidade de fortalecer a unidade latino-americana, mas sua principal tarefa deveria ser unir o povo da Venezuela", avaliou. "Se o povo estiver dividido, haverá colonização. Se eles se unirem e buscarem uma solução política para esse problema que é evidente, poderão avançar."

Durante a entrevista, o presidente colombiano deixou claro que sua posição em relação à Venezuela não é tão diferente da defendida pelos Estados Unidos, mas com uma condição fundamental: não pode ser "imposto de fora". "A ideia de uma transição para eleições livres e um governo compartilhado já foi levantada por outros, como Rubio [Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos], e está alinhada com a minha proposta. Mas não pode ser imposta de fora, deve surgir do diálogo venezuelano", argumentou.

Petro defendeu que o papel dos Estados Unidos deve ser o de facilitar esse diálogo, "juntamente com a América Latina", em uma visão que busca equilibrar pressões internacionais com a autonomia dos processos políticos regionais. As revelações ocorrem em um contexto de notícias relacionadas que incluem ameaças de Trump à Groenlândia e à Colômbia, conversas telefônicas entre Lula e Petro sobre a Venezuela, e declarações do presidente americano sobre ataques a cartéis de droga por terra.