A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) de São Paulo deu um passo importante para o planejamento do futuro da mobilidade no estado. No último dia 30 de dezembro de 2025, foi assinado um contrato no valor de R$ 15,3 milhões com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) para a execução de uma ampla pesquisa de deslocamento. O estudo abrangerá todas as Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo e a Aglomeração Urbana de Franca, com o objetivo claro de capturar uma fotografia atualizada de como as pessoas se movimentam no seu dia a dia.

O secretário dos Transportes Metropolitanos, em comunicado oficial, destacou a importância da iniciativa: "Esses dados serão a base para planejarmos e promovermos a integração dos sistemas de transporte, construindo soluções mais sustentáveis e eficientes para a população". A pesquisa não se limitará a questionários tradicionais. A metodologia combinará a coleta domiciliar de dados com o uso complementar de informações de telefonia móvel, uma abordagem inovadora que promete mapear os deslocamentos com um nível de precisão sem precedentes para essas regiões.

O produto final desse trabalho minucioso será fundamental para a elaboração do Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU). Este plano é um instrumento estratégico que vai orientar os investimentos e as políticas públicas de mobilidade para as próximas décadas, definindo onde e como os recursos devem ser aplicados para melhor atender às necessidades da população.

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A operação começará pelo pé direito. A primeira etapa da pesquisa está programada para o primeiro semestre deste ano e terá como foco a Região Metropolitana de Jundiaí. Os municípios de Jundiaí, Louveira, Cabreúva, Itupeva, Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista serão os pioneiros no estudo, que impactará diretamente cerca de 843,5 mil habitantes. A amostragem prevê a realização de entrevistas em 6 mil domicílios, garantindo uma base estatística robusta.

O cronograma estabelecido pela STM e pela Seade é ambicioso, mas detalhado. Para o segundo semestre de 2026, a pesquisa chegará a outras duas importantes regiões: a Região Metropolitana de Sorocaba e a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Posteriormente, o estudo será expandido de forma gradativa para todas as demais regiões metropolitanas paulistas, com a conclusão de todo o trabalho prevista para o ano de 2028.

É importante ressaltar que a Região Metropolitana de São Paulo, a maior do estado, não será incluída neste mapeamento específico. Isso ocorre porque ela já é contemplada pela consagrada Pesquisa Origem e Destino, realizada periodicamente pelo Metrô de São Paulo, que fornece dados detalhados sobre os deslocamentos na capital e em sua extensa área metropolitana.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos, pasta responsável pela iniciativa, tem uma missão clara: formular políticas públicas que assegurem uma mobilidade urbana integrada, segura, acessível e sustentável, concretizando o direito social de acesso ao transporte. Como referência no planejamento e na gestão do transporte metropolitano de passageiros, a STM administra um sistema que movimenta, na média dos dias úteis, cerca de 8,5 milhões de pessoas. Sob sua gestão estão empresas cruciais para o transporte paulista, como a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e o próprio Metrô de São Paulo, além da Estrada de Ferro Campos do Jordão, no interior do estado.

Esta pesquisa representa, portanto, mais do que um simples levantamento de dados. É um investimento estratégico no futuro da mobilidade de milhões de paulistas, um esforço para entender os fluxos reais da população e, a partir desse entendimento, construir um sistema de transportes mais inteligente, conectado e preparado para os desafios das próximas décadas.