O Brasil é referência global quando o assunto é ritmo, e a percussão atua como definidora da nossa identidade musical. Dentro desse mapa sonoro, a região Nordeste se destaca como território onde tradição e invenção se conectam de forma única.
Do maracatu ao coco, do afoxé ao samba de roda, a percussão nordestina carrega camadas profundas de história e resistência que não apenas se preservaram, mas se reinventaram continuamente. Foi dessa força que surgiram movimentos transformadores como o Manguebeat, protagonizado por Chico Science & Nação Zumbi no Recife dos anos 1990.
Em seguida, o Cordel do Fogo Encantado trouxe uma percussão explosiva associada à tradição da poesia oral sertaneja. Em ambos os casos, a percussão passou a ocupar o centro de uma estética urbana, reinventando a tradição para novas gerações.
É impossível falar em percussão sem citar Naná Vasconcelos, que levou essa linguagem a uma dimensão internacional, expandindo os limites dos instrumentos percussivos e colocando o Brasil no centro da conversa global sobre som e experimentação.
Foi justamente essa inspiração que deu origem ao Ressonância – Festival Internacional de Percussão do Brasil, projeto que nasce para suprir a ausência no país de um festival relevante dedicado exclusivamente à música percussiva.

