Ele é o brasileiro mais ouvido do planeta e você provavelmente nunca ouviu falar seu nome. Nascido em Irajá, subúrbio do Rio de Janeiro, Paulinho da Costa construiu uma carreira tão vasta quanto silenciosa. Na verdade, silenciosa apenas no que diz respeito à sua exposição pública, porque, musicalmente, sua maneira ímpar de tocar percussão atravessou cinco décadas de maneira estrondosa.
Com mais de 6.000 gravações no currículo e quatro álbuns solo, o percussionista é o nome por trás dos sons que fazem o mundo dançar desde os anos 1970. Mas seu reconhecimento sempre obedeceu a uma lógica cruel: enquanto Michael Jackson o chamava de 'o maior percussionista do mundo' e estrelas como Madonna, George Benson e Whitney Houston disputavam sua presença em seus discos, no Brasil ele permaneceu como um segredo bem guardado dos músicos e dos aficionados mais obsessivos.
Essa injustiça começa a ser reparada agora com dois acontecimentos históricos. O primeiro é um documentário produzido pela Nuclear e patrocinado por Johnnie Walker que será lançado pela Netflix. Dirigido por Oscar Rodrigues Alves e produzido por Alan Terpins, o filme estreia após uma década de produção e promete revelar ao grande público a dimensão do impacto de um dos maiores gênios da música mundial.
O segundo é a iminente estrela na Calçada da Fama de Hollywood, que fará de Paulinho o primeiro brasileiro nato a receber a honraria, um feito que, ironicamente, precisou ser celebrado nos Estados Unidos para que o Brasil finalmente voltasse seus olhos para um de seus maiores talentos musicais.

