O Instituto Água e Terra (IAT), em parceria com a Iniciativa Campos Gerais, realiza neste fim de semana uma ação de manejo ambiental no Parque Estadual Salto São Francisco, localizado na região Central do Paraná, entre os municípios de Guarapuava, Prudentópolis e Turvo. Por conta da intervenção, as trilhas que levam ao Salto São Francisco e ao Salto dos Cavalheiros estarão fechadas no sábado (6) e domingo (7), com reabertura prevista para segunda-feira (8). Apenas o mirante permanecerá aberto à visitação.
A medida visa garantir a segurança de visitantes e das equipes envolvidas, já que haverá movimentação de madeira, máquinas, equipamentos e pessoal técnico. O foco da ação é a remoção de exemplares de pinus, uma árvore considerada exótica e invasora, que compromete o equilíbrio ecológico do parque e prejudica o desenvolvimento da flora nativa.
De acordo com Juarez Baskoski, chefe das Unidades de Conservação administradas pelo IAT nos Campos Gerais e coordenador das ações no Salto São Francisco, a remoção é imprescindível para a conservação dos campos naturais e para a proteção da biodiversidade local. “O controle de espécies exóticas é uma etapa essencial para assegurar o equilíbrio ecológico da Unidade de Conservação e preservar seus ecossistemas nativos”, afirmou.
A intervenção será coordenada por profissionais especializados e contará com o suporte de voluntários e do Centro de Operações Aéreas (COA-IAT), responsável pelo transporte de insumos, equipamentos e operadores para áreas remotas, garantindo maior agilidade e segurança na execução das atividades de erradicação. Este projeto de controle da proliferação de espécies exóticas já ocorreu em outras unidades de conservação do Paraná, como os parques estaduais do Codó, Cerrado, Guartelá, Vila Velha, Pico Paraná e na Floresta Estadual Metropolitana.
Para que uma planta seja considerada exótica e invasora, como o pinus, ela precisa se estabelecer e se adaptar fora de sua área de distribuição natural e, sem intervenção humana, ser capaz de sobreviver e proliferar, avançando sobre espécies locais e ameaçando habitats naturais. De acordo com o Programa do Estado do Paraná para Espécies Exóticas Invasoras, desenvolvido pelo IAT, a invasão biológica é considerada a segunda maior causa de perda de biodiversidade no mundo — e a primeira em ilhas e unidades de conservação.
O pinus, originário da América do Norte, foi inserido no Brasil há mais de um século para fins ornamentais e, desde a década de 1960, passou a ser cultivado em larga escala como matéria-prima para indústrias de madeira, laminados, resina, celulose e papel, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país. A dificuldade no controle ocorre devido à anatomia de suas sementes, que são leves e possuem formato aerodinâmico, permitindo que voem até oito quilômetros de distância da árvore-mãe. Essa dispersão, quando descontrolada, torna-se prejudicial, pois os galhos que caem da planta — semelhantes a um capim — sufocam e impedem a regeneração da vegetação nativa.
O Parque Estadual Salto São Francisco abriga uma das maiores cachoeiras do Sul do Brasil, com 196 metros de queda livre, e impressiona pelas paisagens que combinam cânions, campos naturais e trechos de Mata Atlântica preservada. A trilha do Salto São Francisco possui percurso moderado, com aproximadamente 3,5 km (ida e volta), passando por áreas de vegetação nativa, mirantes naturais e trechos rochosos até a borda da cachoeira. Já a trilha do Salto dos Cavalheiros oferece um trajeto um pouco mais longo e rústico, com cerca de 5 km, passando por campos abertos e mata fechada até alcançar outra queda d’água da região.
O parque abriga grande variedade de flora e fauna típicas da região, incluindo bromélias, xaxins, orquídeas, araucárias e espécies nativas da Mata Atlântica. Entre os animais observados estão aves de rapina, pequenos mamíferos, anfíbios, répteis e espécies ameaçadas que encontram abrigo nos ecossistemas preservados do entorno dos saltos.

