Há exatamente um ano, o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), firmou uma parceria estratégica com a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) que está revolucionando o atendimento em reabilitação no estado. A colaboração, considerada pioneira, tem como objetivos ampliar e aprimorar os serviços aos pacientes e otimizar o uso de recursos públicos, trazendo para o Sistema Único de Saúde (SUS) paranaense protocolos de excelência reconhecidos nacionalmente.

Os resultados já são palpáveis. De janeiro a novembro de 2025, o Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Xavier (CHR), que integra o Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT) em Curitiba, realizou mais de 75,3 mil atendimentos focados na reabilitação física, auditiva e visual. Esse volume inclui consultas médicas e uma gama de terapias multidisciplinares, como fisioterapia aquática, fisioterapia convencional, fonoaudiologia, enfermagem, terapia ocupacional, psicologia e serviço social, atendendo pacientes de todas as regiões do Paraná.

No âmbito hospitalar, o CHR também atingiu um marco expressivo: 3.238 cirurgias realizadas no mesmo período (até novembro de 2025). Esse número representa um aumento de 20,7% em relação ao mesmo intervalo de 2024, quando foram registradas 2.682 cirurgias. O crescimento reflete a otimização dos fluxos e a incorporação de novas práticas.

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Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, a parceria e os números reforçam o compromisso do governo com a saúde e a reabilitação. "A parceria com a AACD e a criação do Complexo Silvio Santos representam um avanço inestimável para a saúde do nosso Estado. Estamos construindo um futuro onde a reabilitação é acessível e de excelência para todos os paranaenses, garantindo dignidade e qualidade de vida. É um trabalho contínuo que reflete nosso compromisso com a população", afirmou.

A capacitação profissional foi um dos pilares da parceria. Um grupo de profissionais do CHR, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, médicos e gerentes, participou de uma imersão na sede da AACD em São Paulo e continua envolvido em programas de educação continuada à distância. Essa experiência permitiu a incorporação de novos conhecimentos e o aprimoramento das práticas clínicas.

Dentre as inovações implementadas, destacam-se a introdução da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) no dia a dia do hospital e a construção de um Plano Terapêutico Singular (PTS) para cada paciente. Na prática, isso significa uma abordagem mais personalizada e eficaz, com monitoramento detalhado do progresso de cada tratamento. A adoção dos protocolos da AACD, especialmente nos atendimentos globais adultos, resultou na melhoria da organização dos fluxos e na redução do tempo de resposta aos pacientes.

As reuniões semanais com equipes multidisciplinares, envolvendo todos os profissionais da área assistencial, garantem a discussão de casos, o monitoramento do progresso, o ajuste dos planos de tratamento e o fortalecimento do processo de transferência do cuidado para os serviços de origem, assegurando a continuidade da reabilitação mesmo após a alta hospitalar.

"O trabalho desenvolvido pelo Centro Hospitalar de Reabilitação, em conjunto com a AACD, é um exemplo de como a integração entre instituições públicas e entidades de referência nacional pode elevar a qualidade do atendimento no SUS. Esse avanço reafirma nosso compromisso com a reabilitação integral e com o fortalecimento da rede estadual de saúde", explicou novamente o secretário Beto Preto.

A história de Plínio Biscaia, de 29 anos, morador de Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba, ilustra o impacto humano dessa transformação. Em junho de 2023, ele sofreu um grave acidente de trabalho que resultou em uma fratura na coluna cervical e uma lesão na medula, perdendo os movimentos do corpo. Após atendimento do Samu e uma cirurgia no Hospital do Trabalhador, ele foi transferido para a UTI do Centro de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, onde iniciou uma longa jornada de recuperação.

"O Samu foi bem ágil, em poucos minutos estava ali. Fui transferido com o máximo de cuidado. Cheguei no hospital com sintomas de parada cardiorrespiratória e de imediato foi feito o exame, que confirmou que tinha lesionado mesmo a C5 [vértebra 5 da coluna cervical] e parcialmente a medula", contou Plínio.

Após dois meses na UTI e mais 39 dias na enfermaria do centro de reabilitação, ele recebeu alta, mas mantém acompanhamento regular com uma equipe multidisciplinar. Plínio destacou o suporte oferecido não só a ele, mas também à sua família. "O hospital dá a oportunidade para o acompanhante ficar com o paciente. Eu não me mexia, eu não falava e ali a família está junto, lado a lado. Também aprende passo a passo para depois a gente praticar o restante da reabilitação em casa", explicou.

O progresso foi notável. Com o tratamento, Plínio recuperou parte da mobilidade, evoluindo da cadeira de rodas para o andador. Em fevereiro de 2025, ele conseguiu, pela primeira vez desde o acidente, ficar em pé sem apoios – um marco de superação e autonomia. Ele atribui grande parte dessa evolução à fisioterapia aquática. "Foi com a fisioterapia na água que houve um enorme avanço. Com três aulas de fisioterapia, eu comecei a sentir o calor da água e ter força para fazer a marcha. Todo o ganho que eu tive foi pelos profissionais e hospital", observou.

Olhando para o futuro, a parceria ganhará um novo capítulo com a construção do Complexo de Reabilitação Silvio Santos, anunciado no ato da assinatura da colaboração com a AACD. Com um investimento de R$ 65 milhões, a nova unidade, que ficará ao lado do Hospital de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, unificará serviços já existentes, como o Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Lábio Palatal (Caif), e ofertará novos serviços. Entre as novidades estarão um ambulatório de marcha, uma oficina ortopédica para confecção, adaptação e manutenção de Órteses, Próteses e Meios de Locomoção (OPMAL), e um novo centro cirúrgico para ampliar a oferta de procedimentos ortopédicos, neurológicos e urológicos. O projeto já está em fase de estruturação.

Um ano após o início da parceria, os números robustos e histórias de vida como a de Plínio mostram que a integração entre o poder público e uma instituição de referência como a AACD está criando um novo padrão de cuidado em reabilitação no Paraná, tornando o acesso a tratamentos de alta complexidade mais ágil, humanizado e eficaz para milhares de paranaenses.