Transformar o lixo em ativo econômico e usar a tecnologia como ferramenta para erradicar os lixões a céu aberto. Essa foi a principal diretriz traçada durante a 22ª Reunião Ordinária do Grupo de Discussão de Resíduos Sólidos (R-20), coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). O encontro, realizado na quarta-feira (04), em Curitiba, reuniu gestores dos 399 municípios paranaenses, além de técnicos, especialistas e autoridades, em um esforço conjunto para avançar na gestão sustentável dos resíduos sólidos.
Durante o evento, foram apresentados o Panorama de 2025 e os formulários de 2026 sobre Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e de Gestão de Associações e Cooperativas de Catadores. Os dados revelam que, embora o Paraná seja referência nacional no tema, os desafios ainda são significativos. Enquanto 86% dos municípios realizam coleta seletiva na área urbana, apenas 20% conseguem estender esse serviço para a zona rural. Além disso, apenas 66 prefeituras declararam equilíbrio financeiro total na gestão do serviço, indicando a necessidade de modelos mais eficientes.
"Cuidar dos resíduos é cuidar da saúde da nossa gente e do futuro do planeta. Com inovação, cooperação entre os municípios e novas tecnologias, o Paraná avança para encerrar os lixões e transformar o que antes era problema em oportunidade de sustentabilidade, energia e desenvolvimento", afirmou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, durante o evento.
Pela primeira vez em seus 18 anos de existência, o grupo aprovou formalmente o seu Regimento Interno, definindo regras de funcionamento, competências e uma estrutura organizada em plenária, comissões regionais e câmaras temáticas. O diretor de Desenvolvimento Sustentável e Inovação da Sedest, Bernardo Zanini Fadel, acumulará a presidência da organização. "O R-20 vai atuar como o raio-X da gestão dos resíduos sólidos no Paraná. O compromisso é entender as particularidades de cada consórcio, de cada município, e buscar soluções. Atuar como uma bússola técnica com o objetivo muito claro: zerar os lixões no Paraná", explicou Fadel.
Entre as discussões e apresentações, o evento destacou que o manejo de resíduos deve ir além do simples aterramento, focando na economia circular e na inovação tecnológica. Entre os destaques apresentados estão o programa Composta Paraná, que promove fomento à compostagem como solução para desviar resíduos orgânicos (a maior fração gerada) dos aterros sanitários; o Tratamento Térmico, apresentando a experiência de Ponta Grossa com usinas que utilizam pirólise e gaseificação para transformar rejeitos em energia térmica e biochar (biocarvão); e as Energias Renováveis, mostrando o potencial do biometano e do hidrogênio renovável como alternativas para descarbonizar frotas municipais e gerar segurança energética.
Ainda durante o congresso foi divulgado o edital de credenciamento de tecnologias pelo Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (Conresol), que abrange municípios da Região Metropolitana de Curitiba, reforçando a inovação como uma das frentes prioritárias do grupo. Essa iniciativa visa identificar e implementar soluções tecnológicas que possam ser replicadas em todo o estado, acelerando a transição para um modelo de gestão de resíduos mais sustentável e economicamente viável.
O encontro do R-20 marca um passo importante na busca do Paraná por soluções integradas e inovadoras para um dos maiores desafios ambientais e sanitários do estado. Com a formalização do grupo e o foco em tecnologias de ponta, a expectativa é que os municípios paranaenses possam, em breve, transformar o que hoje é um passivo ambiental em uma fonte de riqueza e desenvolvimento sustentável, contribuindo para a saúde da população e a preservação do meio ambiente.

