O sudoeste do Paraná se tornou o epicentro de uma experiência educacional inovadora que coloca o estado na vanguarda do uso de tecnologia no ensino de matemática. O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Francisco Beltrão foi escolhido para testar, em primeira mão no Brasil e no mundo fora dos Estados Unidos, a nova versão do recurso educacional digital (RED) Khan Academy, batizada de Khan Academy Reimaginada. O projeto-piloto envolve mais de 170 professores e cerca de 12 mil alunos da regional e servirá como base para o lançamento global da plataforma, previsto para 2027.
Desenvolvida para facilitar o acompanhamento do aprendizado, aumentar o engajamento dos estudantes e apoiar o planejamento pedagógico, a ferramenta chega como parte de uma estratégia estadual para intensificar o ensino de matemática. Conforme o secretário da Educação do Paraná, Roni Miranda, o governo investirá mais de R$ 130 milhões somente em 2026 no fortalecimento da disciplina, incluindo ampliação de aulas de recomposição com docência compartilhada e formação continuada para professores. "O Governo do Estado tem um compromisso com a excelência do ensino em todas as disciplinas, e sabemos que o ensino de Matemática enfrenta desafios em todo o Brasil. Por isso, temos empenhado grandes esforços para fornecer todos os recursos educacionais possíveis aos nossos professores", observa Miranda.
A Khan Academy já é uma velha conhecida da rede estadual paranaense. Incorporada em 2022, a versão atual está disponível para alunos do 9º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, tendo registrado quase 39 milhões de habilidades trabalhadas apenas em 2025. A nova versão, porém, traz funcionalidades revolucionárias: atividades gamificadas, sistema de recompensas com missões diárias e semanais, e o suporte do Khanmigo, uma inteligência artificial que auxilia na resolução de exercícios. Os estudantes também ganham um painel único para visualizar conquistas e acompanhar seu progresso.
Para a estudante Maria Eduarda Falcão Alves, de 17 anos, do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) do Sudoeste do Paraná, em Francisco Beltrão, a IA é um diferencial. "Em todas as dificuldades que tive, pude consultar a IA para pedir fórmulas, acessar a calculadora e tirar as dúvidas. Consegui realmente entender o conteúdo. É uma experiência muito boa para o aprendizado", relatou a aluna da 3ª série do ensino médio.
Os professores também são beneficiados com um design focado no trabalho em sala de aula, notificações inteligentes que sinalizam quando um aluno precisa de apoio, e a possibilidade de definir metas coletivas e práticas personalizadas. A coordenadora de Educação Digital da Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR), Lorena Pantaleão, explica que a escolha do Paraná para o piloto se deve ao uso frequente e à familiaridade da comunidade escolar com a ferramenta. "Assim, eles podem testá-la e dar feedbacks, fazendo as observações necessárias para uma melhoria no próprio recurso", disse.
A seleção do NRE de Francisco Beltrão não foi por acaso. De acordo com a Coordenação de Educação Digital (CED) da Seed-PR, fatores como o porte do núcleo e a tradição no uso de tecnologias educacionais pesaram na decisão. Para a embaixadora de Matemática do núcleo, Rubia Schmitz, a oportunidade é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido na região. "Ficamos muito felizes. Essa novidade vem para fortalecer ainda mais o nosso trabalho", afirmou a técnica pedagógica, que já acompanha o engajamento dos alunos nas aulas em laboratório.
Além da Khan Academy, a rede estadual paranaense conta com outros recursos educacionais digitais (REDs) como o Matific, para matemática; Leia Paraná e Redação Paraná, para português; Enem Paraná, para preparação ao exame; e Inglês Paraná High e Inglês Paraná Teens, para o aprendizado da língua inglesa. O projeto-piloto em Francisco Beltrão, portanto, não é um caso isolado, mas parte de um ecossistema de inovação que posiciona o Paraná como referência na integração entre tecnologia e educação.

