O Governo do Paraná apresentou nesta quarta-feira (26) um retrato sem precedentes da população paranaense através da primeira Pesquisa por Amostra de Domicílios do Paraná (PAD-PR), considerada o maior levantamento domiciliar já realizado por um governo estadual no Brasil. Conduzido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento e Social (Ipardes), o estudo ouviu moradores de 73 mil domicílios entre abril e julho, abrangendo 361 municípios paranaenses.

Com financiamento do Fundo Paraná, a pesquisa supera em detalhamento a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, que realiza 20 mil entrevistas no estado. Os dados iniciais revelam uma população predominantemente urbana, com altos índices de ocupação, escolarização e acesso a infraestrutura básica. A partir de 2026, análises municipais mais detalhadas serão disponibilizadas.

O secretário do Planejamento, Ulisses Maia, enfatizou o papel central da pesquisa na gestão pública. "Esses dados são extremamente importantes porque induzem a tomada de decisão dos gestores em várias áreas, como habitação, educação e meio ambiente. Não existe mais espaço para decidir por achismo. As políticas precisam ser baseadas em ciência, em dados técnicos, e é isso que essa pesquisa oferece com grande margem de acerto", declarou.

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O diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, reforçou que a PAD-PR valida o impacto das políticas públicas estaduais. "Políticas públicas precisam de informação. É a partir dessa base de dados que conseguimos caminhar mais rápido e tomar decisões mais assertivas", afirmou, destacando que o Paraná utiliza dados para orientar ações e melhorar indicadores.

Urbanização e perfil demográfico

Os números confirmam a urbanização consolidada do Paraná: 89,8% da população vive em áreas urbanas, enquanto 10,2% residem na zona rural. A região intermediária de Curitiba concentra 32,9% dos habitantes urbanos, enquanto a região de Cascavel lidera entre as rurais.

O estudo também evidencia o envelhecimento populacional. A faixa etária de 60 anos ou mais representa 17,6% dos paranaenses, com destaque para as regiões de Londrina (19,2%) e Maringá (18,9%). Em resposta, o governo anunciou programas como o Paraná Amigo da Pessoa Idosa e o Bolsa Cuidador Familiar.

Quanto à distribuição etária, 12,5% da população tem entre 0 e 9 anos, proporção que sobe para 14,1% em Guarapuava. Sobre cor ou raça, 63,7% se declaram brancos, 28% pardos e 5,1% negros, com maiores proporções de população negra em Londrina (6,3%) e parda em Maringá (32,6%).

Habitação e infraestrutura

A situação habitacional mostra que 67% dos paranaenses moram em domicílios próprios, índice que alcança 78% nas áreas rurais. A região de Guarapuava lidera com 84,7% de casas próprias, seguida pela região intermediária de Ponta Grossa (74,1%).

A infraestrutura dos domicílios apresenta cobertura elevada: 95,8% dos moradores urbanos são abastecidos por rede geral de água, e 95,8% do lixo domiciliar é coletado no estado. Nas áreas urbanas, a coleta de lixo chega a 99,7%, contra 61,5% nas rurais. Os índices de saneamento superam a média nacional, ultrapassando 86% em cidades como Curitiba e Ponta Grossa.

Educação e trabalho

Na educação, 95,3% da população com 15 anos ou mais é alfabetizada. Em Curitiba, esse índice alcança 97,1%, e em Ponta Grossa, 95,8%. Quanto à escolaridade, 37,1% dos paranaenses completaram o ensino médio, 18,3% possuem ensino superior, e os demais se dividem entre fundamental completo e incompleto.

No mercado de trabalho, 60,4% da população com 14 anos ou mais está ocupada. Desses, 48,5% atuam no setor privado, 10,3% no público e 32,1% são trabalhadores por conta própria. As principais atividades econômicas são serviços (47,1%), indústria (20,3%), comércio (18,6%) e agropecuária (11%).

Segurança alimentar e participação

A PAD-PR também traz dados inéditos sobre segurança alimentar, indicando que 94,87% dos domicílios têm acesso regular a alimentos ou enfrentam insegurança leve. Essas informações criam um mapa detalhado para orientar políticas públicas na área.

Estiveram presentes na divulgação o superintendente do IBGE no Paraná, Elias Ricardo, o presidente da Cohapar, Jorge Lange, e assessores do IBGE e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), reforçando a colaboração institucional na produção desses dados estratégicos para o estado.