A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) divulgou nesta quinta-feira (27) os resultados da reunião de análise criminal realizada com dirigentes da Polícia Militar (PMPR) e da Polícia Civil (PCPR). O encontro, que aconteceu nas primeiras horas da manhã, teve como objetivo discutir qualitativamente os principais indicadores de homicídios e roubos no estado, incluindo motivações, horários e dinâmicas identificadas em diferentes regiões paranaenses.
Os dados apresentados mostram que o Paraná mantém uma trajetória consistente de redução da violência. Nos dez primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024, o estado registrou uma queda de 16,5% nos roubos - passando de 11.377 para 9.508 ocorrências - e uma redução de 26% nos homicídios, com menos de mil casos (974) no período pela primeira vez na história. Esses números reforçam um movimento positivo: em 2024, o Paraná já havia alcançado os menores índices criminais de toda a série histórica.
O secretário da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, explicou que "o que nós percebemos, com a avaliação das motivações, é que na maioria dos casos os crimes não são decorrentes de tráfico de drogas. Grande parte das ocorrências está ligada a brigas em bares, causadas por desinteligências, com ingestão de bebida alcoólica e uso de arma branca, o que norteia as medidas que nós vamos adotar nas regiões para evitar que esses crimes aconteçam".
Durante a análise, foram estudados 11 municípios que registraram aumento pontual nos casos de homicídio nos últimos anos. Ao todo, 104 ocorrências foram avaliadas individualmente e, em 51 delas, a motivação esteve ligada a rixas, brigas e desentendimentos - reforçando a tendência de que a maioria dos crimes está relacionada a conflitos interpessoais.
A mesma metodologia foi aplicada aos 18 municípios selecionados por registros de roubo, onde se constatou predominância de roubos de aparelhos celulares. Para cada localidade, foram mapeados dias, horários e formas de abordagem com maior incidência, permitindo definir ações específicas e alinhadas ao comportamento real das ocorrências.
O secretário Hudson Leôncio Teixeira destacou a diferença nas abordagens: "São remédios diferentes para as doenças diferentes. O crime de tráfico de drogas decorre de operação de inteligência, com a Polícia Civil e a Polícia Militar, deferimento de mandados de busca e de prisão, o que não é a realidade do Estado hoje. Esses casos que estamos verificando são decorrentes de crime de ímpeto, desinteligência ou de rixa, sendo evitados com o policiamento ostensivo, abordagens e com fiscalizações urbanas".
As reuniões de análise criminal ocorrem periodicamente e possibilitam que comandantes e delegados relatem as demandas de cada região - seja para a obtenção de medidas judiciais, como mandados de busca ou prisões cautelares, ou para a articulação com prefeituras para apoiar fiscalizações administrativas. A partir desses relatos, a SESP define como apoiar cada município, ajustando estratégias e reforçando o trabalho das equipes no interior do estado.
Os resultados apresentados demonstram a eficácia do trabalho integrado entre as polícias e a importância da análise qualitativa dos crimes para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes de prevenção e combate à criminalidade no Paraná.

