O Governo do Estado do Paraná realizou nesta quarta-feira (26), em Curitiba, a 1ª Conferência do Clima do Paraná, um marco no diálogo entre estado e municípios sobre as mudanças climáticas. O evento, voltado especificamente para prefeitos e representantes municipais, teve como objetivo principal fortalecer a capacidade de resposta diante dos crescentes desafios ambientais.

Organizado pela Secretaria Estadual do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Instituto Água e Terra (IAT) e Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, a conferência reuniu especialistas de diversas áreas para apoiar os gestores municipais na tomada de decisões estratégicas. "Isso é uma determinação do governador e vai ser um trabalho nosso de buscarmos uma arquitetura de resiliência com o apoio do CREA", afirmou o secretário Rafael Greca, destacando o compromisso estadual com a questão climática.

A participação foi expressiva, com representantes de aproximadamente 200 municípios presentes no evento. Para aqueles que não puderam comparecer presencialmente, foi disponibilizada transmissão ao vivo pelo canal do YouTube do Simepar, garantindo o acesso às informações por todo o território paranaense.

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Entre as autoridades presentes estavam o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca; o diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso de Lara Pires; o coordenador estadual da Defesa Civil, Fernando Schunig; e o diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental Clóvis Schrappe Borges, além de profissionais técnicos das instituições organizadoras.

Um dos temas centrais discutidos foi a necessidade de melhorar continuamente a capacidade de resposta do estado frente às catástrofes climáticas. Greca enfatizou os investimentos em tecnologia: "Além disso, há um sistema de prevenção que vem sendo desenvolvido pelo Simepar, com grande investimento em radares e estações meteorológicas. O estado que mais se dedica ao clima é o Paraná".

Os especialistas do Simepar apresentaram detalhadamente o funcionamento da estrutura institucional e como são realizadas as previsões meteorológicas, buscando facilitar a compreensão dos dados pelos municípios. Paralelamente, as equipes da Defesa Civil explicaram o sistema de avisos e alertas meteorológicos, diferenciando-os dos eventos geo-hidrológicos, e detalharam os procedimentos para registro de ocorrências de desastres e a legislação de assistência humanitária.

O coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil, ressaltou a importância da comunicação direta com as comunidades: "É importante que as pessoas saibam como proceder, como agir, quando recebem o alerta. Nós temos um contato muito próximo com todos os 399 municípios do Estado, e o município é a fonte fundamental. É lá que a ocorrência acontece, é lá que as pessoas estão e é lá que a informação deve ser difundida".

Schunig também destacou a existência do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), que pode ser utilizado não apenas para resposta a emergências, mas também para obras de resiliência e prevenção de desastres. Os municípios têm a possibilidade de apresentar projetos diretamente à Defesa Civil para acesso a esses recursos.

Um dos momentos mais aguardados do evento foi a apresentação do laudo técnico sobre os três tornados que atingiram o estado em 7 de novembro. O Simepar e a Defesa Civil detalharam todo o trabalho realizado antes, durante e depois das ocorrências, incluindo a reclassificação dos tornados de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava para F4 na escala Fujita.

Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar, explicou o processo: "Depois de um trabalho bastante intenso da nossa equipe envolvendo a meteorologia e a geointeligência, nós tivemos a possibilidade de reclassificar os tornados. Infelizmente, aqui no Paraná, nós tivemos esse F4, com um grande impacto sobre a estrutura, sobre a população. Mas é um fenômeno raro, e nós estamos cada vez nos preparando melhor para atender a população e dar alertas com mais precisão e com a maior antecedência possível".

A conferência representou um passo importante na construção de uma estratégia integrada para enfrentar os desafios climáticos no Paraná, unindo esforços estaduais e municipais em prol da segurança da população e do desenvolvimento sustentável.