O Paraná tem se consolidado como um verdadeiro celeiro de energias renováveis no Brasil, com políticas públicas que estão transformando a realidade do campo. Entre as fontes que mais se destacam, a energia solar brilha com força total, impulsionada por um potencial que supera o de muitos países europeus e por uma adesão massiva de produtores rurais, cooperativas e até consumidores residenciais.

Nos últimos anos, o estado testemunhou um crescimento extraordinário: entre 2020 e 2024, o número de sistemas fotovoltaicos instalados cresceu mais de 660%. Esse salto reflete um compromisso claro com uma matriz energética mais limpa e eficiente, colocando o Paraná na vanguarda da transição energética nacional.

O coração dessa transformação bate no programa RenovaPR, criado em agosto de 2021 pelo Governo do Estado. Executado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o programa tem uma meta ambiciosa: instalar 100 mil unidades de geração própria de energia até 2030. Atualmente, já soma mais de 39,5 mil unidades produtivas atendidas, oferecendo crédito facilitado, capacitação e assistência técnica.

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"O Paraná está mostrando que sustentabilidade também é economia: quando o produtor rural investe em energias renováveis, ele preserva o meio ambiente, reduz custos e vê sobrar mais dinheiro no bolso para investir na propriedade e gerar renda no campo", afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes.

O impacto econômico é palpável. No campo, a energia elétrica pode representar até 30% das despesas totais de produção. O RenovaPR ataca justamente esse ponto sensível, fortalecendo a competitividade do setor agropecuário. Herlon Goelzer de Almeida, coordenador do programa, destaca um caso emblemático: "Na avicultura, uma das atividades mais eletrointensivas, conseguimos reduzir o impacto do custo da energia, que em 2019 era o segundo maior item de despesa e hoje ocupa a quarta ou quinta posição".

A história de Alvaro José Baccin, de Cascavel, ilustra bem essa virada. Com uma granja que aloja 220 mil frangos, ele instalou dois projetos de energia solar nos últimos anos. "Esses dois projetos, duas miniusinas, nós adquirimos com os recursos do BNDES, financiados pelo Banco do Brasil, e com o convênio no RenovaPR, com o Banco do Agricultor Paranaense. Nós pagamos os juros e somos reembolsados, dentro de dois meses. Então, desse modo, a gente acaba pagando só o principal", explica. Para ele, o investimento foi tão vantajoso que recomenda: "o produtor que não fez ainda deve estar pensando em fazer, devia fazer o investimento".

No centro de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, Clóvis Motin encontrou na energia solar a solução para um dilema comum na hidroponia. Seu cultivo de rúcula, agrião e alface depende do bombeamento constante de soluções nutritivas, tornando a energia elétrica seu maior custo. Há três anos, ele adotou as placas solares e os resultados foram surpreendentes: "Quando eu optei por esse sistema disseram que em 10 anos o sistema se pagava, mas já em 4 anos vai se pagar. Eu gastava em torno R$ 2 mil de luz e com o sistema das placas agora eu pago no máximo R$ 300 por mês. Então diminuiu 80% meu consumo".

Em Assis Chateaubriand, Eduardo Biazzi de Lapena vive uma revolução similar com sua criação de tilápias. Antes, a energia elétrica consumia cerca de 70% de seus custos de produção. Com as placas solares implantadas há um ano, essa fatia caiu para 30% a 40%. Os números são eloquentes: sem a energia solar, ele gastava R$ 271 para produzir uma tonelada de tilápia; com as placas, o gasto despencou para R$ 88 por tonelada.

Se projetada para toda a produção de tilápias no estado - cerca de 192 mil toneladas em 2024, segundo o Departamento de Economia Rural da Seab -, essa economia representaria mais de R$ 35 milhões que poderiam ser reinvestidos na cadeia produtiva.

O sucesso do RenovaPR se sustenta em parcerias sólidas. Coordenado pelo Sistema Estadual de Agricultura (Seagri), por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e do IDR-Paraná, o programa conta com a colaboração de diversas instituições públicas e privadas. O acesso ocorre por meio de empresas integradoras credenciadas e de linhas de crédito com juros reduzidos oferecidas pelo Banco do Agricultor Paranaense.

Enquanto o Brasil celebra a energia solar fotovoltaica como a segunda maior fonte da matriz elétrica nacional, com mais de 60 gigawatts de potência instalada, o Paraná mostra que a verdadeira revolução energética acontece no campo. Com iniciativas como o RenovaPR, o estado não apenas reafirma sua liderança na transição para uma matriz mais limpa, mas também fortalece a economia rural, gera renda e contribui para a preservação ambiental - um ciclo virtuoso que ilumina o caminho para um futuro mais sustentável.