Produtores rurais do Paraná ganharam uma nova arma na luta contra uma das pragas mais devastadoras da cultura do milho. Lançada nesta terça-feira (10) durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, a plataforma digital CigarrinhaWeb promete revolucionar o monitoramento da cigarrinha-do-milho, inseto que transmite o complexo de enfezamentos - conjunto de doenças que causa perda de produtividade, queda na qualidade dos grãos e, em casos severos, até o tombamento das plantas.

A ferramenta posiciona o Paraná entre os Estados com iniciativas estruturadas de monitoramento de uma das principais pragas da cultura do milho. Desenvolvida pela Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada – Complexo de Enfezamento do Milho (Rede CEM), a plataforma resulta da parceria entre Sistema Faep, Fundação Araucária, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

"Esse trabalho é fruto de uma grande parceria. Como produtor rural, conheço os desafios do campo e os danos causados pela cigarrinha. Por isso, acredito que essa ferramenta vem para somar", afirma o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes.

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Na prática, o site exibe um mapa interativo com a localização das armadilhas adesivas instaladas nas regiões do Paraná e o número de insetos capturados em cada uma, com atualizações semanais. A plataforma consolida e torna público dados que antes ficavam restritos a produtores ou instituições individuais, criando uma base histórica para futuras pesquisas.

"Essa ferramenta vai ajudar o setor produtivo não só do Paraná, mas do Brasil, pois combate um dos principais problemas na produção do milho: a cigarrinha", destaca o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Nelson Bona.

A importância da iniciativa fica clara quando se analisam os números dos prejuízos causados pela praga. Estudo recente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) revela que, entre as safras de 2020/21 e 2023/24, os prejuízos chegaram a US$ 25,8 bilhões no país, com uma perda de 22,7% na produção nacional - equivalente a 31,8 milhões de toneladas de milho por ano.

"A cigarrinha faz com que o produtor gaste muito dinheiro, muitas vezes sem ser eficaz. Essa plataforma vai permitir aumentar a produtividade para a atividade mais importante do Paraná. Essa entrega é um avanço no campo", complementa o presidente do IDR-PR, Natalino Avance de Souza.

O método de monitoramento com armadilhas adesivas é antigo e consolidado na agricultura. No entanto, o Paraná se destaca como o único Estado a consolidar e disponibilizar publicamente esses dados por meio de uma plataforma digital interativa, dando transparência e agilidade ao acompanhamento da praga.

"Só em defensivos, foram gastos US$ 76 milhões em 2024 no país. Ou seja, se a plataforma tiver impacto de 10%, essa pesquisa já se paga várias vezes", destaca o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa.

O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, reforça que "apoiar o desenvolvimento desta plataforma significa equipar o produtor com informação atualizada e em tempo real. É um investimento no conhecimento que se transforma em ferramenta prática para a defesa da nossa produção".

Antes mesmo do lançamento da plataforma digital, o Sistema Faep já trabalhava na orientação aos produtores rurais, tendo publicado a cartilha "Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho". Agora, com a CigarrinhaWeb, os agricultores paranaenses contam com uma ferramenta moderna que promete transformar dados em estratégias eficazes de manejo e controle, fortalecendo a segurança produtiva e econômica do setor agrícola do Estado.