O Governo do Estado do Paraná lançou, em 2025, um pacote de 10 chamadas públicas no valor total de R$ 49,7 milhões para fomentar ações estratégicas de ensino, pesquisa e extensão nas sete instituições que compõem o Sistema Estadual de Ensino Superior. Os recursos, provenientes do Fundo Paraná – uma dotação constitucional administrada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) –, têm como objetivo financiar iniciativas de ciência, tecnologia e inovação no âmbito estadual, ampliando o alcance social do conhecimento produzido nas universidades.
Entre os editais lançados estão o Programa de Formação de Estudante Empreendedor (PFEE), o Programa de Integração e Gestão de Dados Acadêmicos (Unidata), os Cursos Microcredenciais e o Programa de Formação para a Gestão Pública (Protag). O conjunto de ações, coordenado pela Seti, busca incentivar a cultura empreendedora, integrar dados acadêmicos e oferecer uma formação moderna e alinhada com as demandas do mercado, consolidando o compromisso governamental com a educação pública de qualidade.
Para o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, os investimentos são fundamentais para a excelência acadêmica. “A alocação de recursos financeiros consolida o compromisso governamental com a educação pública de qualidade, a fim de posicionar as nossas universidades como agentes transformadores do futuro do Paraná, formando profissionais alinhados com as inovações globais e preparados para os desafios atuais, e sem perder de vista a pesquisa que gera soluções para a sociedade”, afirma.
Modernização do ensino médico – Além das chamadas públicas, as universidades estaduais também desenvolveram projetos aprovados em 2024 com cronograma de execução para 2025. Um deles, com investimento de R$ 6 milhões, visa modernizar a infraestrutura acadêmica e implementar novas tecnologias nos seis cursos de Medicina da rede estadual, incluindo inteligência artificial, realidade virtual, cirurgia robótica, simulação realística e telemedicina.
Estudantes das universidades estaduais de Londrina (UEL), de Maringá (UEM), de Ponta Grossa (UEPG), do Oeste do Paraná (Unioeste) e do Centro-Oeste (Unicentro) terão acesso a sistemas integrados de ensino e modernos equipamentos de simulação realística, os chamados simuladores de alta fidelidade. A expectativa é que a infraestrutura comece a ser instalada no início de 2026, acompanhada de plataformas educacionais para a gestão pedagógica, integrando teoria e prática com supervisão e avaliação contínua.
Para compor esse novo cenário de aprendizagem, computadores e softwares específicos e equipamentos como simuladores para cirurgia por vídeo minimamente invasiva (laparoscopia), drenagem torácica, parto avançado e manequins de pacientes que reagem a intervenções irão permitir um treinamento prático e seguro. O objetivo é desenvolver competências digitais nos futuros médicos, reduzindo o tempo médio de procedimentos simulados ao longo da graduação, modernizando de forma padronizada e eficiente o ensino médico.
O coordenador do Curso de Medicina da UEPG, Ricardo Zanetti Gomes, destaca a importância de investir em recursos tecnológicos. “A tecnologia viabiliza um suporte acadêmico personalizado que identifica e atende necessidades individuais de aprendizado, permitindo que as universidades estaduais modernizem metodologias e alcancem o mesmo nível de investimento tecnológico de instituições privadas, preparando os alunos para um ambiente profissional que já incorpora ferramentas e soluções inovadoras”, salienta o professor.
Extensão comunitária para idosos – Outra ação que avançou em 2025 é o Projeto Aurora, focado em promover o envelhecimento saudável de idosos beneficiários do programa Viver Mais Paraná, da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Com um investimento de R$ 7,2 milhões, a iniciativa é desenvolvida pela UEPG, Unioeste, Unicentro e UENP em seis unidades do Condomínio do Idoso: Cornélio Procópio, no Norte; Foz do Iguaçu, no Oeste; Prudentópolis e Guarapuava, no Centro-Sul; e Jaguariaíva e Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais.
O projeto atende diretamente 240 idosos com atividades diversificadas, que incluem desde oficinas de alfabetização, letramento digital e arteterapia até atendimentos de enfermagem, palestras sobre saúde e acompanhamento em atividades físicas, sempre conduzidas por bolsistas e voluntários de cursos de graduação de diferentes áreas, como Pedagogia, Psicologia, Educação Física, entre outros. Os professores também atuam em articulação com os centros de convivência de idosos dos municípios, ampliando o alcance das ações na comunidade.
Em Cornélio Procópio, por exemplo, os resultados da UENP ganharam forma em um e-book gratuito organizado pelas professoras Vanderléia da Silva Oliveira e Miriam Fernanda Sanches Alarcon, publicado pela editora Pontes. O livro aborda o envelhecimento e o papel da extensão universitária a partir dos condomínios dedicados à pessoa idosa, uma experiência pioneira do Brasil. A obra também discute a atenção à saúde e os direitos assegurados pelo Estatuto do Idoso, como o direito à moradia digna e ao convívio comunitário.

