O Governo do Estado do Paraná deu um passo importante na valorização do trabalho invisível de milhares de cuidadores familiares. Nesta quinta-feira (4), teve início o pagamento da Bolsa Cuidador Familiar, uma iniciativa inédita que integra o programa Paraná Amigo da Pessoa Idosa. A ação reconhece financeiramente familiares que dedicam suas vidas ao cuidado diário de pessoas idosas em situação de fragilidade e dependência.
A implementação ocorre de forma gradual, começando por um projeto-piloto que abrange 20 municípios paranaenses: Toledo, Francisco Beltrão, União da Vitória, Cianorte, Irati, Ivaiporã, Dois Vizinhos, Cascavel, São Mateus do Sul, Palmeira, Araucária, Ponta Grossa, Marialva, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Prudentópolis, Guarapuava, Guaratuba, Colombo e Pato Branco. Cada cidade receberá 15 bolsas, totalizando 300 benefícios iniciais.
Os recursos, no valor de meio salário-mínimo nacional (R$ 759 em 2025), começaram a ser creditados nesta semana e devem chegar a todas as contas beneficiárias até a próxima semana, conforme os trâmites bancários. O acesso ao valor é feito pelo aplicativo de poupança social, destinado aos beneficiários previamente incluídos no programa através de busca ativa realizada pelas equipes dos Núcleos Municipais de Cuidado.
A secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte, emocionou-se ao destacar o significado dos primeiros pagamentos. "Isso representa mais do que um repasse financeiro: é o Estado reconhecendo o esforço, o cuidado e a dedicação de quem está presente diariamente, muitas vezes sem ser visto. É uma demonstração de dignidade, respeito e justiça para quem tanto faz e historicamente recebeu tão pouco", afirmou. Segundo ela, a iniciativa fortalece a rede de cuidado e apoio em todas as regiões do Estado, ampliando a proteção e a dignidade das famílias atendidas.
Para ter direito ao benefício, o familiar cuidador precisa atender a critérios específicos: ter 18 anos ou mais, residir no mesmo domicílio da pessoa idosa, estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) com registro válido e atualizado, e integrar família com renda per capita de até um salário mínimo nacional. Também é necessário declarar aptidão física e mental para a atividade de cuidado. Já a pessoa idosa deve apresentar fragilidade clínico-funcional, segundo registro no Sistema de Informação da Pessoa Idosa do Paraná (SIPI/SESA), não estar institucionalizada e estar incluída no Cadastro Único.
A seleção dos beneficiários é realizada pelos Núcleos Municipais de Cuidado dos municípios participantes, garantindo que o recurso chegue a quem realmente precisa. O benefício é concedido em prestações mensais e não exclui outros auxílios eventualmente recebidos pelo cuidador, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou aposentadorias.
Larissa Marsolik, coordenadora de Políticas Públicas para a Pessoa Idosa da Semipi e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, ressaltou o caráter transformador da bolsa. "É uma forma de reconhecer o esforço e a dedicação de familiares, muitas vezes mulheres, que assumem integralmente o cuidado. O programa qualifica o atendimento, evita a institucionalização e reforça o compromisso do Estado com a proteção da pessoa idosa", explicou. Segundo ela, a iniciativa fortalece a política pública de proteção à pessoa idosa no Paraná, criando uma rede de apoio mais sólida e humana.
Nos municípios participantes, a expectativa é grande. A secretária municipal de Assistência Social de Cianorte, Andressa Belo Safira, comemorou a inclusão da cidade no projeto-piloto. "Cianorte tem como princípio o respeito e a dignidade da pessoa idosa. A política do cuidado é grandiosa porque garante autonomia e qualidade de vida. Muitas vezes, o cuidador familiar fica invisível, perde vínculos sociais. A Bolsa é um reconhecimento, um apoio que faz diferença para quem cuida e para quem é cuidado", afirmou.
Os investimentos são executados pela Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, que planeja expandir o programa para outras cidades após a fase piloto. A iniciativa se soma a outras políticas públicas recentes do Estado, como a regulamentação da Bolsa Agente do Saber para reconhecer saberes dos idosos e o anúncio de investimento de R$ 115 milhões em políticas públicas para mulheres.
Para as 300 famílias que receberão os primeiros benefícios, o depósito na conta representa mais do que um complemento financeiro: é o reconhecimento oficial de um trabalho que, até então, era realizado na invisibilidade, muitas vezes por mulheres que abandonam carreiras e projetos pessoais para cuidar de entes queridos. O Paraná dá assim um exemplo concreto de como políticas públicas podem transformar realidades e valorizar o cuidado familiar, essencial para a dignidade humana.

