A vitória mais emblemática da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial completou 81 anos no último dia 21 de fevereiro, e o Paraná não deixou a data passar em branco. Nesta terça-feira (24), o governador em exercício Darci Piana participou de uma cerimônia solene no Museu do Expedicionário, em Curitiba, para relembrar a tomada de Monte Castelo, na Itália – momento decisivo em que o Exército Alemão foi derrotado no campo de batalha, abrindo caminho para a progressão dos Aliados rumo ao fim do conflito.
Piana destacou a importância histórica da participação brasileira durante a guerra. “Muita gente morreu em defesa dos princípios da liberdade. O Brasil enviou 25 mil soldados, sendo que muitos morreram, ficaram feridos, mas a vitória foi extraordinária. Abriu as portas para a invasão à Alemanha, que acabou com a guerra. Nada mais justo, então, do que lembrar daqueles que lutaram para que o mundo ficasse livre do nazismo”, afirmou o governador em exercício. Ele ainda completou: “É preciso lembrar daqueles que lutaram, então uma homenagem como essa é importante, uma vez que poucos ainda estão vivos. Eles merecem esse reconhecimento, e o Exército está comemorando esta data no Paraná. Estou aqui para homenagear aqueles que lutaram pelo nosso País e foram vitoriosos”.
O comandante da 5ª Divisão de Exército, general Ricardo José Nigri, também esteve presente e salientou que o dia da tomada de Monte Castelo representa um marco fundamental para as Forças Armadas. “É uma data magna para nós. A conquista, combatendo o nazifascismo na Europa, em defesa da democracia e da liberdade, demonstra a resiliência e o poder de adaptação do soldado brasileiro, do pracinha, que é um extrato da nossa sociedade”, afirmou. O general acrescentou: “Somos um povo lutador, que briga pela liberdade, que está sempre à frente e que demonstrou ao mundo que o nosso pracinha, o nosso soldado, está em condições de atender a qualquer chamamento para lutar pela democracia”.
Nigri ainda ressaltou o papel crucial do Museu do Expedicionário para manter viva a memória do Brasil na guerra. “Tem um papel fundamental, porque não deixa a história morrer. Ele mostra à população o que foi, de fato, a participação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, rememorando nossos valores, tradições, heróis e fazendo essa conexão do passado com o presente, permitindo que possamos projetar um futuro venturoso para o nosso País”, concluiu.
Durante a cerimônia, foi entregue a Medalha da Legião Paranaense do Expedicionário, honraria criada em 2017 para reconhecer personalidades que contribuem com a manutenção da memória da campanha brasileira na Segunda Guerra Mundial. Pelo Governo do Estado, receberam a medalha o chefe de gabinete do governador em exercício, Guilherme Piratello de Castro, e a secretária de gabinete, Tatiane Michele Kunzler. Outras autoridades civis e militares também foram agraciadas, como o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná Celso Jair Mainardi, o chefe do Estado-Maior da 5ª Região Militar, coronel Wilson Cava, e a cineasta Elisa Salem Herrmann.
A presidente da Legião Paranaense do Expedicionário, Rachel Madureira Régnier, filha de um expedicionário, comentou a importância de reconhecer aqueles que ajudam a manter viva a história dos pracinhas. “Nós prestamos homenagem a quem ajuda a Legião, a quem faz algo por ela. Estamos sempre reconhecendo, agradecendo e entregando uma medalha como forma de demonstrar que também somos gratos pela presença e pelo apoio de todos”, disse.
A tomada de Monte Castelo foi a principal participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Após três tentativas frustradas de conquistar a região, principalmente devido ao inverno rigoroso, a FEB, com apoio da 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos, derrotou o exército inimigo em 21 de fevereiro de 1945. Foram 12 horas de batalha intensa, rompendo a Linha Gótica e abrindo caminho para o avanço das tropas aliadas. O Brasil entrou na guerra em 1944, após navios mercantes serem afundados por uma ação militar do Eixo, matando centenas de militares e civis. Diante disso, 25 mil soldados foram enviados ao Teatro de Operações europeu, dando origem à Força Expedicionária Brasileira. De acordo com o Censo Permanente da FEB, apenas 27 pracinhas estão vivos hoje, sendo que dois deles residem em Curitiba.
O Museu do Expedicionário, palco da homenagem, conta com cerca de 25 mil itens, entre armas, fardas, documentos, fotografias e outros artefatos usados pelos soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Na parte externa, encontram-se as peças que representam as Forças Armadas: âncora e torpedo (Marinha), carro de combate (Exército) e o avião Thunderbolt P-47, que fez parte do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira. O espaço recebe, em média, 30 mil visitantes por ano, realiza até quatro visitas guiadas diárias e mantém parcerias com diversas escolas, levando estudantes para conhecer a história da FEB e da Segunda Guerra Mundial. Funciona de terça-feira a domingo, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h.

