O Paraná, estado que lidera a produção de orgânicos no Brasil com mais de 4.500 agricultores certificados, vai realizar um censo estadual completo no primeiro semestre de 2026 para levantar as características dos produtores em todo seu território. A iniciativa, que já teve uma fase piloto no Norte Pioneiro, visa consolidar políticas públicas e atrair jovens para o campo, combatendo o envelhecimento da população rural.

O projeto é conduzido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em parceria com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). A fase inicial, realizada com recursos do Programa Universidade Sem Fronteira e do Fundo Paraná, envolveu 40 pessoas entre extensionistas e bolsistas e coletou dados de 776 produtores da região Norte Pioneiro, com margem de erro de 2,5% e nível de significância de 95%.

Segundo o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, a iniciativa reforça o protagonismo do Paraná no cenário nacional e internacional. “Hoje, além de sermos reconhecidos como o supermercado do mundo, o Paraná é tetracampeão em sustentabilidade, resultado de políticas públicas que valorizam quem produz com responsabilidade ambiental e social. A produção orgânica tem papel estratégico nesse processo, porque agrega valor, abre mercados e, principalmente, gera mais renda ao produtor rural, garantindo qualidade de vida no campo e fortalecendo a economia do Estado”, afirmou.

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Os resultados preliminares do Norte Pioneiro revelaram um perfil socioeconômico marcado por predominância masculina (72% homens, 28% mulheres), com 75% dos produtores residindo na área rural e 24% na urbana. A pesquisa apontou também um envelhecimento dos agricultores, com a maioria na faixa etária acima de 50 anos. Quanto à escolaridade, metade (50%) tem ensino fundamental, seguido por ensino médio (29%) e superior (20%).

O estudo levantou ainda diversas particularidades, como uso de assistência técnica, necessidade de linhas de financiamento, garantia de conformidade orgânica, custos de produção, mercados acessados, tamanho da produção, tipos de frutas e olerícolas cultivadas, renda média e uso de estufas. Outros aspectos investigados foram adoção de sistemas de irrigação, equipamentos de preparo do solo, técnicas de manejo de pragas, tipos de sementes e mudas, e motivações para a produção orgânica – sendo que 66% dos entrevistados citaram a saúde da família como principal razão.

O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, aprovou os resultados e anunciou a ampliação da pesquisa para todo o Paraná. A Seti vai liberar R$ 550 mil para o IDR-Paraná dobrar o número de bolsistas, enquanto o Instituto aportará mais R$ 300 mil para agilizar o processo. “A previsão é concluir o censo até agosto para ser deixado como um legado para ajudar a estabelecer diretrizes para a produção de orgânicos no Estado”, afirmou Bona.

Para o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, a parceria com a Seti é fundamental para a certificação das propriedades com cultivo orgânico e para enfrentar o desafio do envelhecimento no campo. “O Paraná avança rapidamente nesse conceito de produção mais limpa por uma série de questões que foram demonstradas nesse diagnóstico, que passa pela saúde da família dos agricultores, pela renda, e que tem no Norte Pioneiro hoje um dos esteios do Estado. A extensão desse processo para outras regiões vai permitir o aprofundamento do tema”, disse.

Souza destacou ainda que a produção orgânica pode ser um caminho para reter os jovens no meio rural. “A agricultura do Paraná é uma agricultura exitosa do ponto de vista da balança econômica do Estado, mas tem algumas questões que precisam ser aprimoradas. Uma delas é você ter qualidade de vida e renda suficiente para atrair os jovens, porque senão você fica com uma agricultura envelhecida. E a gente tem consciência de que uma produção mais limpa, mais agroecológica, mais orgânica é um caminho de você segurar o jovem no campo. A gente tem essa convicção da importância da produção orgânica na sucessão familiar”, concluiu.

Com o censo estadual, o Paraná busca não apenas consolidar sua liderança na produção orgânica, mas também criar um mapa detalhado que oriente investimentos, políticas de fomento e estratégias de mercado, fortalecendo uma cadeia que já é referência nacional e que promete ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.