O programa Paraná Mais Verde, coordenado pelo Instituto Água e Terra (IAT), alcançou em janeiro a marca de 13.267.053 mudas de espécies nativas distribuídas desde setembro de 2019. A ação ambiental, que envolve sete ciclos de distribuição, mostra um crescimento expressivo: enquanto no primeiro levantamento (setembro de 2019 a setembro de 2020) foram entregues 1.807.379 pequenas árvores, no último ciclo fechado (setembro de 2024 a setembro de 2025) o número saltou para 2.430.799 mudas, representando um incremento de 34,5% nas doações.
As mudas são produzidas por 19 viveiros florestais e dois laboratórios de sementes sob responsabilidade do IAT, autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável. De acordo com a Gerência de Restauração Natural do Instituto, as espécies mais buscadas pela população no período foram a Aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolia), Angico-gurucaia (Parapiptadenia rigida), Pitanga (Eugenia uniflora), Araçá (Psidium cattleyanum) e Araucária (Araucaria angustifolia).
"Hoje vemos um crescimento exponencial na demanda por mudas de espécies nativas. Isso se dá tanto pelo maior entendimento sobre a importância da recuperação da vegetação quanto pela necessidade de cumprir exigências legais e compensações ambientais relacionadas ao licenciamento de obras e empreendimentos", explica a bióloga da Divisão de Distribuição de Mudas Nativas do IAT, Roberta Scheidt Gibertoni.
Ela reforça os impactos positivos da restauração ambiental na qualidade de vida da população paranaense. "Ao plantar espécies nativas, estamos melhorando a qualidade do ar e da água, mitigando os efeitos das mudanças climáticas, protegendo a biodiversidade e promovendo saúde física e mental", ressalta. "Além disso, a recuperação dos ecossistemas florestais cria espaços mais arborizados, propícios ao lazer e ao bem-estar", afirma.
O Paraná Mais Verde é um programa que incentiva o plantio de mudas de espécies nativas do estado como forma de aliar o desenvolvimento ambiental, econômico e social. A iniciativa busca estimular a população a plantar árvores, seja em área urbana ou rural, para colaborar no equilíbrio do clima, com as mudas sendo destinadas a locais que precisam ser recuperados ou mais bem arborizados.
O programa conta com seis linhas de atuação: Revitaliza Viveiros, Viveiros Socioambientais, Incentivo a Espécies Ameaçadas de Extinção, Datas Comemorativas, Parques Urbanos e Poliniza Paraná. Vale destacar que o Paraná é um dos quatro estados do Brasil a contar com um Plano de Ação Climática.
Os viveiros administrados pelo IAT estão localizados em São José dos Pinhais, Engenheiro Beltrão, Salgado Filho, Cascavel, Cornélio Procópio, Guarapuava, Fernandes Pinheiro, Ivaiporã, Jacarezinho, Morretes, Ibiporã, Mandaguari, Pato Branco, Tibagi, Pitanga, Paranavaí, Toledo, Umuarama e Paulo Frontin. Já os laboratórios de sementes ficam em São José dos Pinhais e em Engenheiro Beltrão.
O trabalho dos viveiros atende a uma ampla gama de projetos e programas — estaduais e federais — voltados à recuperação da vegetação nativa. Entre eles, destacam-se o Programa de Regularização Ambiental (PRA), o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), o próprio programa Paraná Mais Verde e o programa Asfalto Novo, Vida Nova. As mudas também são usadas em projetos de pesquisa, plantios voluntários, eventos e iniciativas de reflorestamento urbano e rural.
Os interessados em solicitar mudas podem fazê-lo por meio do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). O pedido passará por uma análise técnica do IAT e, caso seja aprovado, será encaminhado um e-mail ao requerente com as informações do local de retirada das mudas e a documentação necessária.
Confira, abaixo, as características das espécies mais procuradas para doação pela população do Paraná em 2025:
1) Aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolia) - Liderando o ranking, com mais de 115 mil mudas doadas em 2025, a Aroeira-pimenteira é um arbusto característico da Mata Atlântica, com altura de sete a dez metros e rápido crescimento. Seus pequenos frutos vermelhos, conhecidos popularmente como pimenta-rosa, são um atrativo para a avifauna local, o que ajuda na dispersão natural de sementes. A população de Toledo, no Oeste do Paraná, foi quem mais procurou a muda.
2) Angico-gurucaia (Parapiptadenia rigida) - Em segundo lugar aparece a Angico-gurucaia. Foram distribuídas cerca de 110 mil mudas da espécie em 2025, sendo Toledo, novamente, a cidade que mais recebeu. A espécie domina a mata típica do interior do Paraná, muito presente nas bacias hidrográficas do estado. É de extrema importância para a recomposição de matas ciliares e muito indicada para ações de reflorestamento e preservação ambiental, podendo atingir até 1,4 metro na idade adulta.
3) Pitanga (Eugenia uniflora) - A Pitanga, terceira colocada da lista, é conhecida como pitangueira e famosa por seus frutos vermelhos que representam o quintal de muitas casas paranaenses. Mais de 90 mil mudas foram doadas da espécie, majoritariamente em Ortigueira, nos Campos Gerais. Na pitanga, as folhas e frutos são grandes chamativos para a fauna e atraem pássaros como sabiás e bem-te-vis. Além disso, a árvore ganha destaque por seu alto valor paisagístico.
4) Araçá (Psidium cattleyanum) - Mais de 87 mil mudas de Araçá saíram dos viveiros do IAT no ano passado. De fácil adaptação aos diferentes climas, a espécie habita do litoral até o interior do Paraná. Seus frutos, que podem ser amarelos ou avermelhados, são ricos em vitamina C e muito valorizados tanto para o consumo humano quanto para nutrir a vida silvestre. A árvore, considerada de porte pequeno/médio, pode atingir 6 metros de altura.
5) Araucária (Araucaria angustifolia) - Para fechar o top 5 não poderia faltar um imponente símbolo do estado, a Araucária. Foram mais de 82 mil mudas doadas em 2025 do chamado Pinheiro-do-Paraná. Além de desenhar a paisagem típica local, a espécie garante o pinhão, alimento essencial para a fauna, em especial a gralha-azul, e uma das bases da nossa culinária de inverno.

