A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) colocou em marcha um dos mais ambiciosos projetos de digitalização documental já realizados na educação pública brasileira. A iniciativa, batizada de Memória Digital da Educação, prevê a conversão de aproximadamente 50 milhões de páginas de documentos físicos – um acervo que, se empilhado, formaria uma torre de cerca de cinco quilômetros de altura, equivalente a 132 estátuas do Cristo Redentor uma sobre a outra. Além disso, o projeto inclui o tratamento de cerca de 100 milhões de imagens, entre fotografias, microfilmes e outros registros históricos.

O diretor-geral da Seed-PR, João Luiz Giona Junior, não esconde o orgulho pela dimensão do trabalho. “É importante destacar que a Memória Digital da Educação, que é o nome que nós demos para esse projeto, ele é a maior iniciativa de digitalização, de documentos de digitalização de acervo, que nós temos conhecimento do Estado do Paraná. É uma referência tanto em nível estadual, quanto também nacional”, afirmou. Ele complementa: “Não temos conhecimento de outra iniciativa em educação, que tenha envolvido um volume tão grande de documentos, uma força-tarefa tão grande também, e que vai entregar um resultado tão rápido”.

A iniciativa integra o Programa Educação para o Futuro do Estado do Paraná (PEFEP) e conta com financiamento parcial do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O objetivo central é modernizar a gestão documental da secretaria, aumentar a segurança das informações e facilitar o acesso a registros acadêmicos e administrativos produzidos ao longo de décadas. Giona Junior vê o projeto como um marco histórico. “É um passo muito significativo que a Secretaria, enquanto instituição, um marco histórico na instituição, que nós demos aqui no sentido de promover a transformação digital dos nossos serviços. Bem, esse é um trabalho que se iniciou há muito tempo atrás. Então, nós estamos chegando aqui, culminando em dois anos de trabalho, em que esse projeto foi desenhado, estruturado, houve a preparação, a separação da documentação nas escolas, porque nem toda a documentação deve ser digitalizada”, reforçou.

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Um dos impactos mais concretos será a otimização do uso de espaços físicos. Um levantamento da pasta identificou que o acervo documental armazenado em escolas, nos Núcleos Regionais de Educação (NREs) e na própria sede da Seed ocupa mais de 50 mil metros quadrados. Com a digitalização, essas áreas poderão ser reorganizadas e destinadas a outras finalidades educacionais, como salas de aula, laboratórios ou ambientes pedagógicos. Além da questão espacial, o projeto busca garantir a preservação do patrimônio documental da educação paranaense, que atualmente está disperso em diferentes unidades e sujeito à deterioração natural.

A chefe do Departamento de Normatização Escolar da Seed-PR, Telma Aparecida dos Santos Luzio, detalha que a digitalização começa pelo acervo existente na sede da secretaria. “Cerca de 35 milhões de documentos que estão na sede inicialmente. Demos o pontapé inicial para tudo isso”, disse. Ela explica quais documentos estão no foco: “Os documentos que serão digitalizados são do Departamento de Normatização Escolar, que é da Coordenação de Estrutura e Funcionamento e Coordenação de Documentação Escolar, que dizem respeito à vida da instituição de ensino, atos regulatórios e a vida do estudante. Temos também do RH, que daí refere-se à vida funcional do servidor. Temos ainda do NAS, documentos do NAS também que serão digitalizados”.

O projeto foi estruturado ao longo dos últimos dois anos, com levantamento técnico do acervo e organização prévia. Em 2025, as escolas da rede estadual participaram de um processo de triagem para separar os materiais que devem ser preservados daqueles que podem ser descartados, evitando a digitalização de registros duplicados ou sem valor arquivístico. Após a digitalização e validação técnica, os arquivos serão integrados a sistemas digitais de gestão documental, permitindo buscas mais rápidas e acesso mais eficiente. O processo segue normas federais que garantem autenticidade jurídica e integridade, com registro de metadados, certificação digital e mecanismos de verificação. O material físico descartado, após análise de uma comissão, é encaminhado para reciclagem.

A operação de digitalização é conduzida pela empresa Iron Mountain, especializada em gestão de informação e transformação digital. O gerente de projetos da empresa, Fernando Henrique Andrade, explica que o trabalho envolve equipamentos especializados para diferentes tipos de documentos históricos. “Acho que a gente tem equipamentos que são os padrões, que são scanners, padrões de alta velocidade, mas a gente pode focar também nos scanners que a gente chama planetário, que é o scanner que a gente utiliza para digitalização de livro, onde a gente não precisa descaracterizar o livro para poder gerar imagem. Nós temos os equipamentos que vão fazer a captura do microfilme e também das jaquetas, que são documentos mais antigos. Temos equipamentos específicos para atender essa demanda”, disse.

Com a conclusão das etapas previstas, a expectativa da Seed é consolidar um banco de dados digital centralizado. Isso permitirá localizar documentos escolares e administrativos com mais rapidez e segurança, preservando a memória da educação pública do Paraná e ampliando a eficiência dos serviços prestados à população. O projeto não é apenas uma mudança tecnológica, mas uma forma de resguardar a história e otimizar o futuro da educação no estado.