Os últimos dois fins de semana transformaram a rotina do Paraná em um cenário de destruição e mobilização emergencial. Uma sequência de eventos climáticos extremos varreu o Estado, culminando com um tornado de nível 3 que devastou Rio Bonito do Iguaçu na última sexta-feira (7), mas os problemas começaram antes. Na semana anterior, temporais, enxurradas, vendavais e chuvas de granizo já castigavam dezenas de municípios, espalhando prejuízos e apreensão entre a população.
Diante da gravidade da situação, o governador Carlos Massa Ratinho Junior homologou os decretos de situação de emergência para 33 cidades paranaenses. A lista inclui localidades como Alto Piquiri, Alvorada do Sul, Antônio Olinto, Araruna, Astorga, Barbosa Ferraz, Bom Sucesso, Califórnia, Cambé, Cambira, Cantagalo, Cruzeiro do Oeste, Engenheiro Beltrão, Fênix, Goioxim, Jandaia do Sul, Leópolis, Mandaguaçu, Marialva, Miraselva, Nova Aurora, Peabiru, Pitangueiras, Planalto, Quarto Centenário, Quinta do Sol, Rolândia, Roncador, Santa Fé, Santa Helena, São João do Ivaí, São Pedro do Ivaí e Sertaneja. Esses decretos são um reconhecimento oficial de que os desastres causaram danos significativos, comprometendo parcialmente a capacidade de resposta das prefeituras, que agora dependem de apoio estadual e federal para mitigar os impactos.
No sábado (8), a situação em Rio Bonito do Iguaçu levou a uma medida ainda mais drástica: o decreto de estado de calamidade pública. O tornado, com ventos que chegaram a impressionantes 330 km/h segundo o Simepar, afetou 90% da área urbana da cidade, destruindo residências, comércios e prédios públicos. Enquanto a situação de emergência permite que o município ainda atue com ajuda externa, a calamidade pública indica um colapso quase total da administração local, exigindo ações urgentes e amplas para reconstruir a cidade e assistir a população.
A homologação desses decretos é crucial para liberar recursos. Ela abre portas para acessar verbas federais destinadas a socorro, ajuda humanitária e recuperação de infraestrutura. Além disso, os cidadãos afetados podem solicitar o Saque Calamidade do FGTS ou buscar linhas de crédito especiais. No âmbito estadual, o decreto é necessário para que os municípios recebam apoio do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap). Recentemente, o governo estadual injetou R$ 50 milhões no Fecap para atender as cidades impactadas inicialmente e, com a tragédia em Rio Bonito do Iguaçu, aportou mais R$ 50 milhões.
Outra iniciativa importante foi a abertura de uma linha de crédito pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), voltada a empresas, cooperativas e produtores rurais que sofreram perdas. Para acessar esse financiamento, com juros reduzidos, é essencial que a situação de emergência esteja homologada. Paralelamente, a Assembleia Legislativa aprovou e o governador sancionou uma lei que modifica o Fecap, permitindo repasses diretos de até R$ 50 mil para famílias reconstruírem suas casas—uma mudança significativa, já que antes os recursos só iam para os municípios.
Em casos de calamidade pública, como o de Rio Bonito do Iguaçu, as ações se intensificam. O governo está implementando medidas como a construção de 320 casas pela Cohapar para abrigar os mais vulneráveis e a isenção por três meses da tarifa da Sanepar para os moradores locais. Essas etapas visam não apenas a recuperação imediata, mas também o restabelecimento da normalidade em uma comunidade profundamente abalada. Enquanto isso, os paranaenses seguem na torcida por tempos mais tranquilos, mas com a certeza de que a solidariedade e o apoio institucional são fundamentais para superar esses desafios climáticos cada vez mais frequentes.

