Mesmo após o encerramento da COP30 em Belém, o Brasil segue no centro das atenções globais quando o assunto é enfrentamento às mudanças climáticas. E o Paraná, eleito por quatro vezes consecutivas como o estado mais sustentável do país segundo o Ranking de Competitividade dos Estados, assume papel de protagonista com três iniciativas estratégicas que consolidam sua posição como referência em políticas ambientais e climáticas.

O modelo paranaense combina desenvolvimento econômico com preservação ambiental através do Plano Estadual de Descarbonização, do Plano ABC+ Paraná e do Programa de Segurança Hídrica. Como afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior: "A sustentabilidade no Paraná não está apenas no discurso, mas em práticas diárias e planejadas, construídas com base na ciência, na inovação e no compromisso com as futuras gerações".

O governador destaca ainda os avanços em projetos de biogás, energia solar, economia circular e reflorestamento, reforçando que "reafirmamos a posição de liderança do Paraná no enfrentamento às mudanças climáticas e na construção de um modelo de desenvolvimento que alia inovação, produtividade e responsabilidade ambiental".

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Agricultura sustentável como base

O Plano ABC+ Paraná, coordenado pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), representa uma das principais estratégias do estado para reduzir emissões de gases de efeito estufa no campo e aumentar a resiliência da agropecuária. Como evolução do plano nacional original de 2010, a iniciativa ampliou de seis para dez as ferramentas de descarbonização do agronegócio, com metas estabelecidas até 2030.

No Paraná, o programa foca em práticas que conciliam eficiência e preservação ambiental, incluindo integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, recuperação de pastagens degradadas, uso de bioinsumos e manejo de dejetos animais. As metas são ambiciosas: recuperar 350 mil hectares de pastagens degradadas, qualificar o uso de Sistema de Plantio Direto de Grãos em 400 mil hectares e ampliar em quatro mil hectares o uso do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças.

O secretário da Agricultura, Marcio Nunes, ressalta que "o Paraná é caracterizado por uma grande diversidade produtiva e possui sistemas que contemplam todas as ferramentas do Plano ABC+". Ele destaca que, mesmo ocupando apenas 2,3% do território nacional, o estado deve contribuir com mais de 15% da meta brasileira de mitigação de emissões através de boas práticas agropecuárias.

Resultados que superam expectativas

Breno Campos, diretor do Departamento de Florestas Plantadas e Sustentabilidade da Seab, revela que o Grupo Gestor Estadual ABC+, formado por cerca de 30 instituições, já registra resultados expressivos. "Já ultrapassamos a meta de terminação intensiva de bovinos e temos avanços significativos em outras áreas, como o sistema de plantio direto de hortaliças", comemora.

Segundo ele, algumas metas definidas em 2022 foram superadas em pouco tempo, demonstrando a capacidade técnica e produtiva do estado. Esse desempenho é reforçado por programas estaduais como o Irriga Paraná e o Integra Paraná, que fomentam práticas sustentáveis no campo.

Segurança hídrica como prioridade

Outro pilar fundamental é o Programa de Segurança Hídrica, conduzido pela Secretaria do Planejamento em parceria com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). O objetivo é promover a segurança hídrica para usos múltiplos em todo o estado, garantindo disponibilidade e qualidade da água para abastecimento humano, saneamento, produção agrícola e industrial, além da conservação ambiental.

Jaqueline Dorneles de Souza, coordenadora do programa, explica que "quando falamos em usos múltiplos, estamos falando de todos os usos que a sociedade faz da água: para beber, produzir, limpar, irrigar, enfim, para viver".

O projeto está estruturado em três eixos principais: fortalecimento da gestão de recursos hídricos, segurança hídrica para agricultura (com foco especial nos agricultores familiares) e saneamento nas áreas urbana e rural. As ações envolvem desde modernização de redes de monitoramento até implementação de sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto em comunidades rurais.

Investimentos robustos

O programa contará com US$ 263 milhões em investimentos (cerca de R$ 1,4 bilhão), sendo US$ 186 milhões do Banco Mundial e US$ 77 milhões de contrapartida do estado. Parte desses recursos já começou a ser aplicada pelo Instituto Água e Terra (IAT) e pela Sanepar em ações preliminares.

Ulisses Maia, secretário do Planejamento, afirma que "nossos investimentos estratégicos em tecnologia e no ecossistema de inovação garantem que o crescimento econômico caminhe lado a lado com a responsabilidade ambiental".

Rumo à neutralidade climática

O terceiro pilar da estratégia paranaense é o Plano Estadual de Descarbonização da Economia Paranaense (Pedep), que será lançado oficialmente em dezembro. Walquíria Letícia Biscaia de Andrade, coordenadora de Ação Climática da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (Sedest), explica que o plano está alinhado às campanhas globais 'Race to Zero' e 'Race to Resilience' e tem como objetivo central permitir que o estado alcance a neutralidade climática até 2050.

"O plano pretende atrair investimentos, criar empregos qualificados e ampliar a competitividade das cadeias produtivas locais em um contexto de economia global em transformação", destaca Walquíria.

Os trabalhos de elaboração do Pedep começaram em junho de 2024 e resultaram em 17 estudos técnicos, com amplo processo de construção participativa que incluiu consultas públicas. A próxima etapa será o lançamento oficial do plano, com a Sedest responsável pela coordenação e gestão de sua execução em três horizontes: 2030, 2040 e 2050.

Um modelo que inspira

A combinação dessas três iniciativas posiciona o Paraná não apenas como líder nacional em sustentabilidade, mas como exemplo concreto de que é possível conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. Como resume o governador Ratinho Junior: "Estamos construindo um Paraná mais resiliente, moderno e preparado para os desafios globais, priorizando o bem-estar da nossa população".

Enquanto o mundo acompanha as ações do Brasil no cenário climático pós-COP30, o Paraná demonstra na prática que a sustentabilidade vai além dos discursos - é resultado de planejamento estratégico, investimentos consistentes e compromisso com as gerações futuras.