O Paraná fechou o ano de 2025 com a menor taxa de homicídios dolosos de toda a sua série histórica, alcançando um índice de 9,9 casos para cada 100 mil habitantes. Os dados, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (Sesp) nesta terça-feira (27), mostram que, pela primeira vez, o Estado chega a uma taxa de apenas um dígito, consolidando uma trajetória consistente de queda que vem sendo construída ao longo dos últimos anos.
Esse número coloca o Paraná em uma posição de destaque nacional, ficando bem abaixo do índice médio do Brasil, que é de 14,62 casos por 100 mil habitantes, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça. Na prática, a taxa paranaense é 33% menor do que a média do País. Quando calculado pelo Sinesp, usando a base populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador do Paraná é ainda melhor: 9,81. A diferença se deve à metodologia, já que a Sesp utiliza os números do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
A redução no número de homicídios registrada em 2025, em comparação com 2024, foi de impressionantes 24%. Isso significa que 371 vidas foram preservadas apenas no último ano. O desempenho consolida o Estado como uma referência nacional em segurança pública, especialmente considerando que 2024 já havia registrado o menor índice desde o início da série, em 2007.
Em números absolutos, foram contabilizados 1.183 homicídios dolosos em 2025, contra 1.554 ocorrências em 2024. Quando a comparação é feita com 2018, ano em que foram registrados 1.955 homicídios dolosos, a redução chega a 40%, demonstrando o impacto de uma política de segurança estruturada e de longo prazo.
O secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, atribuiu o resultado a um conjunto de fatores. "Esse novo panorama é resultado de muito trabalho e investimento, com a segurança pública sendo colocada como prioridade. Com mais estrutura, equipamentos e a integração das forças policiais, estamos oferecendo às pessoas cada vez mais um Estado seguro para se viver", afirmou.
Teixeira destacou ainda a estratégia personalizada adotada pelo Estado. "Estamos trabalhando caso a caso, município a município, pois cada um tem uma realidade diferente. Em alguns municípios, temos homicídios decorrentes do tráfico de drogas, e para isso o tratamento é a polícia de inteligência e operações com medidas cautelares pelo Poder Judiciário. Em outros municípios, a maior ocorrência é de brigas. Aí o remédio é outro: policiamento ostensivo. Tratamos cada região de forma distinta, integramos as polícias, cobramos resultados e oferecemos suporte logístico", complementou.
A queda dos homicídios dolosos, crimes em que há intenção de matar, ocorre de forma contínua ao longo dos últimos anos. Em 2018, o Paraná registrou 1.955 casos; em 2023, foram 1.756 ocorrências; em 2024, 1.554; até chegar aos 1.183 registros em 2025. O avanço também é refletido na distribuição dos crimes pelo território paranaense: 164 municípios não registraram nenhum homicídio doloso em 2025, o equivalente a 40% dos 399 municípios do Estado. Outros 99 municípios tiveram apenas uma ocorrência, enquanto 96 municípios registraram dois homicídios ao longo de todo o ano, demonstrando a ampliação da segurança em diversas regiões.
Outro destaque positivo foi a diminuição de 20% nos feminicídios, que passaram de 109 para 87 casos. O Paraná registrou uma taxa de 0,73 por 100 mil habitantes em 2025, de acordo com o Sinesp, uma das menores do Brasil, ao lado de estados como São Paulo, Amazonas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Norte.
Na contramão do aumento de ocorrências observado em nível nacional, algumas cidades paranaenses reduziram drasticamente os casos de feminicídio. Em Londrina, a redução foi de 80% (de 5 em 2024 para 1 em 2025), e em Ponta Grossa, os registros caíram a zero em um ano (de 8 em 2024).
O secretário Teixeira explicou a estratégia para enfrentar esse tipo de crime. "No caso dos feminicídios, o Paraná vem conseguindo reduzir o número significativamente, em contraste com a média nacional, que estacionou. Isso acontece porque estamos com um trabalho preventivo muito forte de mostrar às mulheres a rede de proteção que existe e que elas podem e devem denunciar a violência sofrida antes que aconteça o pior. Infelizmente, esse é um crime que tem uma raiz cultural e precisamos que toda a sociedade se mobilize para continuarmos reduzindo", disse.
Ele citou ainda as campanhas "Mulher Segura" e "De Homem para Homem" e destacou o aumento no número de denúncias pelo Disque Denúncia 181. "É uma somatória de esforços que conta também com a participação da sociedade. O número de denúncias pelo 181 aumentou muito, o que ajuda as forças de segurança a responderem com mais exatidão", acrescentou.
O uso de tecnologia tem sido um aliado importante nesse processo. Um dos serviços disponibilizados é o "Botão Salve Maria". Pelo aplicativo 190, da Polícia Militar do Paraná, mulheres que possuem medidas protetivas podem acionar rapidamente os órgãos de segurança pública. Além disso, vítimas e agressores passam a ser monitorados em tempo real pelo sistema de Monitoração Eletrônica Simultânea (MES). Com o programa, as forças de segurança podem realizar o alerta e as ações necessárias para preservar a vida da mulher e garantir a prisão do autor da violência em caso de descumprimento da medida protetiva.
Os investimentos recordes do Governo do Estado, aliados ao planejamento estratégico, à inteligência e à mobilização das forças policiais, têm sido apontados como os pilares dessa transformação. A Polícia Científica do Paraná, por exemplo, recebeu armamento de ponta pela primeira vez na história, simbolizando a modernização e o fortalecimento das instituições. O resultado é um Estado que não apenas reduz números, mas preserva vidas e constrói um ambiente de segurança para todos os paranaenses.

