O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, anunciou nesta segunda-feira (1º) um pacote histórico de R$ 100 milhões em investimentos para a cultura do estado. A cerimônia, realizada em Curitiba, marcou o início de um novo ciclo de políticas culturais com forte ênfase na descentralização e na formação artística em todas as regiões paranaenses.
Durante o evento, foram entregues kits de instrumentos musicais para 64 municípios, totalizando 1.691 instrumentos, com mais 26 cidades recebendo na segunda etapa do programa. Ao todo, 90 municípios serão beneficiados com quase R$ 8 milhões em equipamentos musicais para fanfarras, bandas marciais, orquestras e festividades locais.
"Esse é o maior aporte cultural que o Paraná já fez, um investimento que fortalece fanfarras, museus, formação artística e toda a cadeia econômica que gira em torno da cultura", disse o governador. "O estado hoje é uma vitrine cultural do Brasil, seja com projetos de grande impacto, como o Museu Pompidou em Foz do Iguaçu, seja com iniciativas que levam arte diretamente para as crianças e para os municípios".
A secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, destacou que a entrega dos instrumentos representa uma política permanente de incentivo à formação artística. "Hoje entregamos mais de 1.600 instrumentos para 64 municípios e garantimos a próxima fase, que atenderá mais 26 cidades. Esse programa nasceu da importância que o estado entendeu que a música tem na formação cidadã, especialmente entre crianças e jovens das escolas públicas", explicou.
Uma das iniciativas mais inovadoras anunciadas foi a criação de oito satélites dos museus estaduais, que serão instalados a partir de 2026 em diferentes regiões do Paraná. Os satélites permitirão que mais de 3 milhões de peças dos acervos dos museus sediados em Curitiba circulem pelo interior, ampliando o acesso da população à arte, à história e à memória paranaense.
Os novos satélites serão instalados em Londrina (Museu Paranaense), Cascavel (Museu de Arte Contemporânea do Paraná), Guarapuava (Museu da Imagem e do Som do Paraná), Maringá (Museu de Arte Contemporânea do Paraná), Paranaguá (Museu Casa Alfredo Andersen), Pato Branco (Museu Paranaense), Ponta Grossa (Museu Casa Alfredo Andersen) e Tunas do Paraná (Museu da Imagem e do Som do Paraná).
Segundo Ratinho Junior, a criação dos satélites é inspirada em um modelo já adotado na Europa. "Nem todo mundo consegue viajar até Curitiba para visitar um museu, então é o estado que vai até as pessoas. Esses oito satélites vão levar nosso acervo para o interior, ampliando o acesso à arte e ao patrimônio cultural", acrescentou o governador.
Do total de R$ 100 milhões anunciados, metade foi destinada à ampliação do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Profice), que passa a contar com investimento recorde de R$ 50 milhões – R$ 20 milhões para o ciclo de 2025 e R$ 30 milhões para 2026. Pela primeira vez, o programa foi estruturado de forma anual, garantindo mais previsibilidade para artistas, produtores e instituições culturais.
"A nova edição do Profice traz R$ 50 milhões em investimentos e editais, garantindo previsibilidade para artistas, coletivos e instituições", declarou Luciana. "É um instrumento fundamental para levar arte a todas as regiões do estado, por meio de projetos apresentados pelos próprios agentes culturais".
O programa avança em diretrizes de equidade e descentralização, já que 60% dos recursos devem obrigatoriamente ser destinados a proponentes sediados fora da capital, e 20% do montante é reservado para projetos apresentados por pessoas negras, indígenas ou com deficiência.
A outra metade dos recursos, R$ 50 milhões, foi destinada às Transferências Fundo a Fundo da Cultura, um instrumento criado recentemente que se tornou o principal mecanismo de descentralização cultural do Paraná. Pelo modelo, os recursos são repassados diretamente aos fundos municipais de cultura, permitindo que as prefeituras executem políticas públicas conforme suas realidades e seus próprios planos culturais.
O repasse recorde foi possibilitado a partir da estruturação dos fundos municipais de Cultura, um processo que contou com apoio direto do Governo do Estado via Secretaria de Estado da Cultura (Seec). Desde 2019, o Paraná aumentou de 16 para 372 as cidades que possuem sistemas municipais de Cultura e, portanto, estão aptas a receber repasses fundo a fundo.
Os recursos liberados agora podem ser usados para financiar o apoio a festas, festivais, feiras, mostras, bolsas, premiações, manutenção de espaços culturais e programas de leitura, literatura e bibliotecas. Uma parte importante do programa é voltada à preservação do patrimônio cultural material e imaterial.
Para a prefeita de Rio Branco do Sul, Karime Fayad, os novos instrumentos representam um salto histórico para a cidade. "Rio Branco do Sul ainda não tinha sua própria fanfarra. Com os instrumentos, já contratamos o professor e, em breve, teremos uma fanfarra formada por crianças da cidade, o que fortalece nossas raízes e dá às crianças novas perspectivas de vida", contou.
A diretora-geral da Seec, Elietti de Souza Vilela, enfatizou que a reformulação do Profice representa um divisor de águas para a produção cultural paranaense. "A produção cultural gera trabalho, emprego e renda. Quando você valoriza a cultura local, abre oportunidades para os artistas e fortalece a identidade das cidades, por isso a reserva de 60% dos recursos para o interior deve resultar no crescimento da produção cultural regional", defendeu.
O evento também contou com a presença do vice-governador Darci Piana; dos secretários estaduais das Cidades, Guto Silva; Trabalho, Qualificação e Renda, Do Carmo; Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani; Desenvolvimento Social e Família, Rogério Carboni; Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca; do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi; e de diversos deputados estaduais.

