O Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen/PR) deu um salto tecnológico no combate à tuberculose ao implementar o sistema Deeplex, uma ferramenta de sequenciamento de nova geração que promete revolucionar o diagnóstico da doença no estado. Antes restrito a pesquisas científicas, o equipamento, com custo anual superior a R$ 270 mil, agora está disponível para uso rotineiro na rede pública de saúde, colocando o Paraná na vanguarda do diagnóstico molecular no Brasil.

A tecnologia permite a detecção simultânea de duas informações cruciais para o tratamento eficaz. Primeiramente, identifica com precisão se a bactéria presente é realmente a Mycobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose, distinguindo-a de outras micobactérias que podem causar infecções pulmonares semelhantes. Em segundo lugar, e talvez mais importante, o sistema consegue mapear rapidamente as mutações genéticas que conferem resistência aos principais medicamentos usados no tratamento.

"A implantação desta tecnologia é um divisor de águas. Estamos elevando o padrão de diagnóstico molecular, oferecendo à população paranaense e aos nossos profissionais de saúde uma ferramenta de ponta para enfrentar a tuberculose com precisão e rapidez inédita no país", afirma o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto. Com os resultados ágeis do Deeplex, o Lacen/PR pode repassar aos médicos, em tempo hábil, informações detalhadas sobre a bactéria e seu perfil de resistência, permitindo que a equipe médica inicie um tratamento otimizado desde o primeiro momento.

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Essa agilidade no diagnóstico representa um avanço significativo no manejo da doença. "Ao acelerar o diagnóstico de resistência, o Paraná contribui ativamente com esse objetivo", complementa a diretora-técnica do Lacen/PR, Lavinia Arend. O tratamento precoce e direcionado aumenta consideravelmente as chances de cura do paciente e reduz a capacidade de disseminação de cepas resistentes da bactéria, um problema crescente de saúde pública.

A diretora do Lacen, Célia Fagundes da Cruz, destaca que o laboratório assume uma posição de liderança nacional com a adoção da tecnologia. "A experiência do Paraná servirá como modelo para outros estados, pavimentando o caminho para a expansão dessa tecnologia de ponta em toda a rede laboratorial nacional, fortalecendo a vigilância genômica e a capacidade do país de controlar as micobacterioses", explica. A iniciativa está alinhada com a Estratégia Fim da Tuberculose (End TB Strategy) da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa reduzir em 90% as mortes e em 80% a incidência da doença até 2030.

Os números reforçam a urgência de investimentos em tecnologias de diagnóstico. A tuberculose, doença infecciosa e contagiosa causada pelo Bacilo de Koch, ainda é um desafio sanitário no Paraná. Em 2024, foram registrados 2.717 casos no estado, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Até novembro de 2025, já haviam sido notificados 2.579 casos. A doença, que é transmitida pelo ar através de tosse, fala ou espirro de pessoas infectadas, provocou 134 óbitos no Paraná apenas em 2025.

Apesar da disponibilidade da vacina BCG para prevenção, a tuberculose permanece como uma das doenças mais antigas ainda em circulação, exigindo respostas inovadoras dos sistemas de saúde. A adoção do Deeplex pelo Lacen/PR representa um investimento estratégico não apenas em equipamentos, mas em uma mudança de paradigma no enfrentamento da doença, onde a velocidade e a precisão do diagnóstico se tornam aliadas fundamentais na corrida contra o tempo para salvar vidas e conter a transmissão.