Em um sábado histórico para o esporte brasileiro, Lucas Pinheiro Braathen desceu os Alpes italianos e entrou para a história. Na cidade de Bormio, próxima à divisa com a Suíça, o esquiador de 25 anos conquistou a primeira medalha do Brasil em uma Olimpíada de Inverno – e logo a dourada. A vitória no slalom gigante dos Jogos de Milão e Cortina veio após duas descidas emocionantes, marcando um feito inédito para um país tropical que tradicionalmente brilha mais no calor do verão.
A prova do slalom gigante, uma das modalidades do esqui alpino, consiste em duas descidas em um percurso com mastros fincados na neve, as chamadas "portas", separadas por cerca de 25 metros. O atleta deve passar entre todos eles, e vence quem obtiver a menor somatória de tempo. Lucas realizou as descidas em 2min25s, ficando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, que levou a prata. O bronze também foi para a Suíça, com Loic Meillard.
Trajetória de um campeão
Nascido em Oslo, capital da Noruega, mas filho de mãe brasileira, Lucas assumiu a liderança já na primeira descida, ao concluir o percurso em 1min13s92. Na descida seguinte, fez apenas o 11º melhor tempo (1min11s08), mas a marca foi suficiente para se manter à frente dos concorrentes suíços. Sua trajetória até esse momento é marcada por decisões importantes: ele defendeu a Noruega até 2023, quando anunciou que iria parar de competir. Disputou a Olimpíada de Inverno de Pequim, na China, em 2022, como atleta nórdico, mas não completou as provas que participou.
Em 2024, voltou atrás na ideia de aposentadoria e procurou o Brasil. No ano seguinte, passou a representar a terra natal de sua mãe, conquistando pódios históricos em etapas de Copa do Mundo de esqui alpino, culminando no ouro inédito em Bormio. Antes de Lucas, o melhor resultado do Brasil em Olimpíadas de Inverno era de Isabel Clark. Nos Jogos de Turim, também na Itália, há 20 anos, a carioca ficou em nono no snowboard cross.
Brasil nos Jogos de Inverno
O ouro deste sábado pode ser somente a primeira medalha do Brasil em Milão-Cortina. Na segunda-feira (16), a partir das 6h (horário de Brasília), será a vez do slalom, prova semelhante à versão "gigante", com a diferença que a distância entre os mastros é menor (cerca de 13 metros). Além de Lucas, o Brasil será representado por Giovanni Ongaro, também filho de mãe brasileira, mas nascido em Clusone, na Itália, que somou 2min34s15 nas descidas do slalom gigante, ficando na 31ª posição, e pelo carioca Chrisitan Soevik, outro que é filho de pai norueguês e mãe brasileira.
A conquista de Lucas Pinheiro Braathen não é apenas um marco esportivo, mas um símbolo da globalização do esporte e da capacidade de atletas com raízes brasileiras brilharem em cenários inesperados. Em um contexto de mudanças climáticas, onde os Jogos de Inverno usam 85% de neve artificial, a vitória em Bormio ressoa como um feito genuíno, conquistado com técnica, determinação e um toque de brasilidade nas pistas geladas dos Alpes.

