A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) deu um salto de qualidade em seu equipamento musical na última quarta-feira (4), com a chegada de uma nova harpa de concerto da marca italiana Salvi Harps, uma das mais prestigiadas fabricantes mundiais do instrumento. A aquisição, no valor de R$ 488,9 mil, faz parte de um investimento de quase R$ 6 milhões destinado à compra de novos instrumentos para a orquestra, realizado pelo Governo do Paraná.

O aporte integra um pacote mais amplo de cerca de R$ 50 milhões para modernização e revitalização do Teatro Guaíra, consolidando o complexo cultural paranaense em um novo patamar técnico e artístico. "O Governo do Paraná tem realizado investimentos consistentes na área da cultura, e a renovação dos instrumentos da Orquestra Sinfônica do Paraná é parte desse esforço", afirma a secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande Pereira. "Garantir equipamentos de excelência é fundamental para fortalecer a produção artística do Estado e ampliar o acesso da população a concertos de alto nível".

Além da harpa, a OSP já recebeu em dezembro de 2025 um console profissional de luz mais adequado aos novos equipamentos e, em fevereiro, um novo piano da marca Steinway & Sons. Este último será apresentado ao público nos concertos de abertura da temporada 2026, nos dias 12 de março, às 20h30, e 15 de março, às 10h30, no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, sob regência de Tibiriçá e com o consagrado pianista irlandês Barry Douglas como solista convidado.

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Outros instrumentos musicais já estão em processo de compra ou a caminho do Guaíra: um órgão eletrônico sampleado da marca italiana Viscount, uma celesta, um cravo, dois contrabaixos de cinco cordas e dois trompetes de rotor. "Foi realizado um estudo para a aquisição de todos esses equipamentos. São instrumentos importantíssimos dentro de uma orquestra, e esse é um investimento bastante generoso e muito importante para a nossa orquestra e para o Teatro Guaíra", explica Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra.

A nova harpa — modelo Apollo, com 47 cordas — é a terceira da história da OSP e a primeira da marca italiana Salvi. O primeiro instrumento da orquestra, adquirido no fim da década de 1980, era uma harpa de menor porte da fabricante americana Lyon & Healy, mais adequada para estudo e apresentações de música de câmara. Em 2001, a orquestra passou a contar com uma harpa de concerto da mesma fabricante, modelo Salzedo, considerada um instrumento de alto padrão, que foi utilizada até meados de 2020, quando começou a apresentar problemas estruturais. Desde então, a orquestra passou a alugar uma harpa para suas apresentações.

Com a chegada do novo instrumento da Salvi, a expectativa é de que, após o restauro da harpa anterior, a OSP volte a contar com duas harpas de concerto em plenas condições de uso — ampliando as possibilidades de execução do repertório sinfônico. "Grande parte do repertório sinfônico pede duas harpas. Compositores como Claude Debussy, Maurice Ravel e Gustav Mahler utilizam duas harpas na orquestra. Então essa sempre foi uma necessidade importante para nós", afirma Hélio Leite, harpista da orquestra desde 1988, que foi responsável pela escolha do novo instrumento.

O modelo Apollo incorpora tecnologias recentes de construção, especialmente na caixa de ressonância, considerada a parte mais importante do instrumento. Produzida em abeto vermelho, com estrutura externa em maple canadense, a harpa foi projetada para oferecer maior projeção sonora — característica fundamental para apresentações no palco do Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, que possui grandes proporções. "Quando escolhemos um instrumento para o Guaíra, a preocupação é sempre com a capacidade de projeção do som. A harpa precisa se destacar dentro da massa sonora da orquestra", explica Leite.

Antes de ser utilizada em concerto, porém, a nova harpa precisará passar por um período de adaptação. Durante o transporte internacional, as cordas são mantidas completamente frouxas para evitar danos estruturais. Após a chegada, é necessário afiná-las gradualmente até atingir a tensão ideal — processo que pode levar dias ou até semanas, enquanto a madeira do instrumento se adapta à pressão das cordas. Para Leite, que está há quase quatro décadas na orquestra, a chegada do instrumento representa um momento importante na história do grupo. "É um investimento fundamental. Esse apoio do Governo do Estado é um grande presente para os músicos e para o público", afirma.

A Orquestra Sinfônica do Paraná fará um concerto especial para apresentar a nova harpa e o novo cravo — que deve chegar ao Teatro Guaíra nos próximos meses — no dia 28 de junho, às 10h30, no Guairão. A apresentação terá regência do maestro venezuelano Christian Vásquez e contará com dois solistas convidados: Fernando Cordella, no cravo, e Cecília Pacheco, na harpa.

O programa reunirá obras de diferentes períodos da música clássica. A abertura será com o Concerto de Brandemburgo nº 5, de Johann Sebastian Bach, peça emblemática do período barroco que destaca o cravo como instrumento solista. Na sequência, o público poderá ouvir Danças Sacra e Profana, de Claude Debussy, obra composta especialmente para harpa e cordas e considerada uma das mais importantes do repertório para o instrumento. Encerrando a apresentação, a orquestra executa a Sinfonia nº 4 em ré menor, op. 120, de Robert Schumann, uma das obras mais marcantes do romantismo alemão.

A venda de ingressos terá início em junho, cerca de 10 dias antes da apresentação, pelo DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra, por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).