A Orquestra Pizindim, de Brasília, celebra o Dia Nacional do Choro (23) com o lançamento do single “O pulo do sapo”, um maxixe composto pelo cavaquinista Léo Benon em homenagem a Evandro Barcellos (1961-2016), um dos fundadores do Clube do Choro da capital. Disponível nas plataformas digitais, a faixa é a primeira do álbum de estreia do grupo, que reúne 13 músicos especializados em instrumentos de sopro, cordas e percussão.
O show de pré-lançamento ocorre nesta sexta (24), às 20h, na Escola de Música de Brasília (Teatro Levino de Alcântara). A apresentação incluirá outras faixas do disco ainda inéditas, já que o álbum está em finalização. A orquestra se formou há três anos para comemorar a data, oficializada em 2000 por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda.
Nome e referências – “Pizindim” é o apelido de infância de Pixinguinha (1897-1973), compositor e maestro homenageado no projeto. O álbum destaca o trabalho menos conhecido do músico como arranjador entre os anos 1920 e 1950. “Acho que só quem é do universo do choro é que sabe de fato quem é Pixinguinha e qual é a sua importância”, diz Bruno Patrício, saxofonista e diretor musical da orquestra.
Três faixas já gravadas revelam arranjos de Pixinguinha para obras de outros compositores. Entre elas estão as valses “Só tu não sentes” e “Tenho um desejo”, do pianista J. F. Fonseca Costa (Costinha), funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil. As partituras dos arranjos, de 1957, pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles. Outra redescoberta é a polca “Alfredinho no Choro”, de Alfredinho Flautim, com arranjo de Pixinguinha de 1949.
O repertório do mestre também aparece em “Dando topada” e “Carinhoso”. A primeira fez parte da trilha do primeiro filme de ficção do Pará, “Um dia qualquer” (1965). Já “Carinhoso”, composta em 1917 e mal recebida pela crítica por suposta influência do jazz, só fez sucesso em 1937 na voz de Orlando Silva. “Fui pescando o que eu achava de mais representativo”, explica Bruno sobre o arranjo que mescla diferentes versões.
Choro contemporâneo – Além do resgate histórico, o álbum traz composições próprias dos integrantes, como “Salve João da Baiana” e “Maxixe Pizindim”, de Bruno Patrício. Também há obras de Paulinho da Viola (“Só o tempo”) e Hamilton de Holanda (“Maxixe do César”), esta última dedicada ao irmão do bandolinista, o violonista Fernando César, que integra a orquestra. A cantora Ana Reis, de Brasília, participa da faixa de Paulinho da Viola.
Gravado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal desde novembro de 2023, o disco pode ganhar versão em LP e motivar turnê pelas capitais, caso consiga novos patrocínios. “O pulo do sapo” já está disponível nas plataformas sonoras.
Serviço: Orquestra Pizindim – Single “O pulo do sapo” (Léo Benon) disponível a partir de 23/5. Show em 24/5, às 20h, na Escola de Música de Brasília (Teatro Levino de Alcântara), SGAS II SGAS Quadra 602. Entrada gratuita ou a preços populares.

