Uma força-tarefa nacional foi deflagrada nesta sexta-feira (27) para investigar postos de combustíveis suspeitos de praticarem aumentos irregulares nos preços ao consumidor. Batizada de Operação Vem Diesel, a ação é coordenada pela Polícia Federal (PF), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com atuação em 11 estados e no Distrito Federal.

A operação integra a Força-Tarefa para Monitoramento e Fiscalização do Mercado de Combustíveis, criada pelo governo federal para combater distorções nos preços. Procons estaduais também participam das diligências, que buscam identificar "práticas irregulares de aumento de preços nas bombas, fixação de valores entre empresas concorrentes para controle de mercado", conforme descrito no comunicado oficial.

Segundo a PF, as ações focam em condutas abusivas que possam acarretar prejuízos ao consumidor. A corporação destacou que "possíveis irregularidades detectadas pelas equipes de fiscalização, que indiquem crimes contra a ordem tributária, econômica ou contra as relações de consumo, serão encaminhadas à PF para a devida apuração de autoria e de materialidade delitiva".

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O contexto da operação se intensificou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarar que o aumento do preço dos combustíveis é injustificável, gerando uma mobilização governamental. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) chegou a organizar plantões para atender denúncias de Procons contra aumentos abusivos, enquanto a ANP intensificou a fiscalização em distribuidoras, como ocorreu recentemente no Rio de Janeiro.

Um balanço divulgado na quinta-feira (26) pelos ministérios da Justiça e de Minas e Energia revela a dimensão do problema: desde 9 de março, foram fiscalizados 3.181 postos de gasolina e 236 distribuidoras em todo o território nacional. No mesmo período, a ANP fiscalizou 342 agentes regulados, incluindo 78 distribuidoras específicas.

Durante essas inspeções, a ANP lavrou 16 autos de infração por indícios de prática de preço abusivo. Um caso chamou atenção: foram encontrados sinais de aumento de 277% na margem bruta do diesel, conforme informou a Senacon. As empresas autuadas são: Alesat, Ciapetro, Flagler, Ipiranga, Masut, Nexta, Phaenarete, Raízen, Royal Fic, SIM Distribuidora, Stang, TDC e Vibra Energia. Todas agora são objeto de processo administrativo pela ANP.

A Agência Brasil aguarda os posicionamentos das empresas sobre o caso. A operação representa um esforço conjunto para conter abusos que impactam diretamente o bolso do brasileiro, especialmente em um momento de sensibilidade econômica. As investigações continuam, com a expectativa de que as fiscalizações resultem em punições exemplares e na estabilização dos preços nos postos.