A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (13) a Operação Quebrando a Banca, uma ação que mira uma organização criminosa especializada em lavar dinheiro proveniente da exploração ilegal de jogos de azar. Segundo as investigações, o esquema movimentou quase R$ 100 milhões utilizando empresas de fachada e uma extensa rede de "laranjas" para ocultar os lucros ilícitos.
Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em cinco cidades paulistas: São Paulo, Ribeirão Preto, Mogi-Mirim, Santa Rosa do Viterbo e São João da Boa Vista. A operação é resultado de um trabalho minucioso da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, que identificou uma estrutura criminosa atuante há décadas no estado.
O delegado Marcel Willian de Souza, divisionário da Deic de Piracicaba, explicou que as investigações começaram a partir de prisões por jogos de azar, crime considerado de menor potencial ofensivo, mas que frequentemente serve como ponta do iceberg para delitos mais graves. "Identificamos um número muito grande de pessoas que viviam de forma simples, mas que movimentaram milhões por mês. Elas são usadas por esses criminosos como ferramentas que ajudam a tirá-los da mira da polícia", afirmou o delegado.
Durante as buscas, os policiais apreenderam dispositivos eletrônicos, instrumentos utilizados em apostas, veículos e quantias em dinheiro. As evidências coletadas devem ajudar a desvendar completamente a teia financeira montada pelos criminosos.
Os relatórios de inteligência financeira revelaram dados impressionantes: o principal líder da quadrilha movimentou mais de R$ 25 milhões em apenas um semestre de 2024, além de apresentar histórico de transações milionárias em anos anteriores. A organização utilizava métodos sofisticados para esconder a origem do dinheiro, incluindo transações imobiliárias em espécie e aquisição de bens em nome de terceiros.
O núcleo operacional do esquema contava com gerentes e operadores financeiros especializados em pulverizar milhões de reais através de centenas de transferências via Pix e depósitos em dinheiro. Essa prática, conhecida como smurfing, dificulta sobremaneira o rastreamento dos valores pela polícia e pelos órgãos de controle financeiro.
A investigação também descobriu o envolvimento da quadrilha com uma empresa que tinha capital social declarado de R$ 36 milhões, apontada como destino de valores milionários movimentados pela liderança do esquema. Somando todas as movimentações financeiras atípicas, o capital social das empresas utilizadas, o patrimônio imobiliário oculto e a frota de veículos — estimada em cerca de R$ 18 milhões —, a Polícia Civil calcula que o montante total de ativos e valores movimentados pela organização criminosa chegue a R$ 97,2 milhões.
"Também descobrimos empresas que auxiliavam na ocultação dos bens, então era uma verdadeira rede de lavagem de capitais que atuava tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais", completou o delegado Marcel Willian de Souza, destacando a abrangência interestadual do esquema criminoso.
As investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa. A operação representa um golpe significativo no financiamento de atividades ilegais relacionadas a jogos de azar no estado de São Paulo e mostra como crimes considerados "menores" podem sustentar estruturas criminosas complexas e altamente lucrativas.

