Uma operação policial interestadual está em andamento nesta segunda-feira (13) para investigar suspeitos de promover ataques virtuais contra familiares de uma adolescente vítima de feminicídio em Hortolândia, no interior de São Paulo. A ação, batizada de Operação Persecutio, é conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, e já resultou em uma prisão em Minas Gerais.
Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos simultaneamente em seis cidades de três estados brasileiros: Presidente Prudente (SP); Bicas, Belo Horizonte, Ibirité e Juiz de Fora (MG); e Ananindeua (PA). As ordens judiciais foram expedidas pela Delegacia Seccional de Casa Branca, vinculada ao Departamento de Polícia Judiciária do Interior 9 (Deinter-9), e atingem oito investigados – cinco mulheres e três homens.
O caso remonta a julho do ano passado, quando uma jovem de 15 anos foi assassinada em Hortolândia. Dias após o crime, dois adolescentes foram apreendidos como suspeitos pelo feminicídio. Foi então que começou uma nova onda de violência, desta vez no ambiente digital. Segundo o Noad, "os familiares da jovem passaram a ser alvo de reiteradas ameaças, além de manifestações de escárnio e deboche disseminadas em plataformas digitais, e-mails e redes sociais".
Com o passar do tempo, houve uma escalada tanto na frequência quanto na gravidade das condutas, o que motivou a investigação especializada. O núcleo identificou indícios da prática do crime de ameaça por meio de plataformas digitais e encaminhou as provas à delegacia responsável, que solicitou as medidas judiciais.
A Operação Persecutio tem como objetivo principal apreender dispositivos eletrônicos – como computadores, celulares e mídias de armazenamento – que possam auxiliar na identificação dos autores e no completo esclarecimento dos fatos. Até o momento, uma pessoa já foi presa em Minas Gerais durante os cumprimentos dos mandados.
O Noad é uma unidade especializada da Polícia Civil de São Paulo criada para combater crimes virtuais, com foco especial na proteção de crianças e adolescentes. Em pouco mais de um ano e quatro meses de atuação, o núcleo já contribuiu para salvar 370 vítimas dos chamados "predadores digitais", realizou 348 apreensões de menores e efetuou 71 prisões.
A estrutura opera com "observadores digitais" – policiais infiltrados em comunidades online que atuam de forma contínua para identificar crimes, mapear redes criminosas e localizar vítimas. As informações obtidas são consolidadas em relatórios de inteligência que subsidiam inquéritos policiais e fundamentam pedidos judiciais.
Além da investigação, o Noad atua na prevenção, acionando outros setores policiais diante de crimes iminentes. Nessas situações, a prioridade absoluta é o resgate das vítimas e a responsabilização dos envolvidos. A delegada e coordenadora do núcleo, Lisandrea Colabuono, recentemente participou do podcast SP Pod, da Agência SP, onde explicou o funcionamento da unidade e alertou pais sobre a importância de monitorar as atividades dos filhos no ambiente digital.
O caso de Hortolândia exemplifica como crimes graves podem gerar desdobramentos no mundo virtual, exigindo ações coordenadas entre diferentes unidades policiais e estados. A operação em andamento demonstra a capacidade de investigação digital do estado de São Paulo e seu compromisso em combater não apenas os crimes originais, mas também suas consequências no ambiente online.

