A Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deflagraram nesta terça-feira (7) a Operação Heavy Pen, uma ação de grande porte voltada para combater o mercado ilegal de medicamentos e insumos farmacêuticos destinados ao emagrecimento. O objetivo da operação é reprimir a entrada irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal desses produtos, que têm ganhado espaço no Brasil nos últimos anos.

Em nota oficial, a Polícia Federal informou que estão sendo cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além de 24 ações de fiscalização em 11 estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina. A operação tem como foco o enfrentamento de grupos envolvidos na cadeia ilícita desses produtos, desde a importação fraudulenta até a distribuição e a comercialização irregular de substâncias de uso injetável.

Segundo a PF, as ações se concentram em produtos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados em tratamentos para obesidade, além de substâncias correlatas, como a retatrutida, que ainda não tem autorização para comercialização no Brasil. Também estão sendo fiscalizados estabelecimentos como laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que atuam à margem da regulação sanitária, com produção, fracionamento ou comercialização de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida.

Publicidade
Publicidade

As condutas investigadas podem caracterizar crimes relacionados à falsificação e à comercialização irregular de medicamentos, além de contrabando. A operação acontece em um contexto de crescimento expressivo das apreensões de medicamentos emagrecedores no país. Dados da Polícia Federal mostram que as apreensões passaram de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025, e já alcançaram 54.577 unidades apenas até março de 2026.

Paralelamente à operação, a Anvisa anunciou nesta semana novas medidas para prevenir riscos e reforçar o controle sanitário de medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP‑1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O plano inclui ações para combater irregularidades na importação de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e na manipulação dos ativos de semaglutida, tirzepatida e liraglutida por farmácias de manipulação.

Segundo a agência, a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação das canetas tem sido incompatível com o mercado nacional. Somente no segundo semestre de 2025, foram importados 130 quilos de insumos, suficientes para a preparação de 25 milhões de doses. Esse volume elevado sugere que parte significativa desses insumos pode estar sendo desviada para o mercado ilegal.

A Anvisa já havia emitido alertas sobre os riscos associados ao uso indevido desses produtos, incluindo o risco de pancreatite ligado a canetas emagrecedoras e os perigos do uso inadequado de preenchedores dérmicos. A operação Heavy Pen representa um esforço conjunto das autoridades para combater um problema que envolve não apenas questões sanitárias, mas também de segurança pública e saúde coletiva.

A ação reforça a importância da compra de medicamentos apenas em estabelecimentos regulados e com prescrição médica adequada, evitando os riscos associados a produtos de origem desconhecida ou irregular. Para a população, o recado é claro: a busca por soluções rápidas para o emagrecimento pode colocar em risco a saúde quando envolve medicamentos sem procedência garantida.