As polícias Civil e Militar de São Paulo realizaram nesta terça-feira (30) duas grandes operações que resultaram na prisão de 580 agressores de mulheres e na apreensão de quase 300 motocicletas. As ações, que mobilizaram aproximadamente 2 mil policiais, fazem parte da estratégia do governo estadual para reforçar a segurança durante o período de fim de ano.
A operação Ano Novo, Vida Nova, realizada em conjunto pela Secretaria da Segurança Pública e Secretaria de Políticas para a Mulher, cumpriu 562 mandados de prisão em todas as regiões do estado. A maior parte das detenções ocorreu na Grande São Paulo, com 161 agressores presos, seguida pela capital paulista, com 139 prisões. Outros 18 homens foram presos em flagrante durante a ação.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou o empenho dos mais de 1,8 mil policiais civis envolvidos. "É uma causa que a gente tem batalhado muito. São Paulo não vai deixar para trás os agressores de mulheres. Eles precisam saber que aqui existe uma polícia firme para combater qualquer tipo de violência contra elas", afirmou o secretário durante coletiva de imprensa.
Cristiane Braga, coordenadora de Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), detalhou o perfil dos presos: "Temos crimes de toda ordem, mas a maior incidência é crime de lesão corporal e descumprimento de medida protetiva, o que mostra um perfil de desrespeito a decisões judiciais. Com isso, evitamos que ele reincida em condutas mais graves. A maioria deles são conviventes ou ex-conviventes, mais jovens e já condenados".
A operação, que começou na segunda-feira (29), envolveu todos os Departamentos de Polícia Judiciária do Interior e todas as seccionais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital, com atuação direta das Delegacias de Defesa da Mulher. Em novembro, outros 1,3 mil agressores de mulheres já haviam sido presos durante a operação Hera II, que durante 21 dias intensificou o combate à violência doméstica no estado. Até outubro deste ano, mais de 11 mil infratores foram detidos pelas forças de segurança paulista.
Adriana Liporoni, secretária de Políticas para a Mulher e ex-chefe das DDMs, ressaltou a importância da prevenção: "São 142 delegacias da mulher em São Paulo. Em nenhum estado chega a 10% desse número. Aqui, as políticas são pioneiras. Temos DDM online que atende às mulheres em qualquer lugar do estado para fazer um boletim de ocorrência e pedir medida protetiva".
Paralelamente, a Polícia Militar realizou a Megaoperação Cavalo de Aço, ação estratégica para combater roubos e furtos com uso de motocicletas, além de fortalecer a segurança viária. Durante a operação, foram abordadas 1,2 mil pessoas, apreendidas quase 300 motos e aplicadas mais de 579 infrações de trânsito. Uma pessoa foi presa em flagrante portando um simulacro de arma de fogo.
O coronel Carlos Lucena, coordenador operacional da Polícia Militar, explicou a estratégia: "É uma operação muito importante porque ela tem como base a redução dos indicadores criminais e ações de inteligência. Os locais são mapeados para os pontos de bloqueio. O foco são as motocicletas que comumente são utilizadas para a prática de furto ou roubo no estado".
Entre as infrações mais comuns observadas pelos policiais estavam falta de licenciamento do veículo, licenciamento vencido, pneus em mau estado de conservação e motoristas dirigindo sem habilitação ou após ingestão de bebida alcoólica. A ação, coordenada pelo Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), mobilizou mais de 100 policiais militares atuando de forma integrada em pontos estratégicos de bloqueio distribuídos pela cidade.
As duas operações representam a continuidade da estratégia do Governo de São Paulo de enfrentamento permanente à violência contra a mulher e à criminalidade, unindo ações repressivas, prevenção e políticas públicas de proteção. Em outubro, a operação Cavalo de Aço havia resultado na apreensão de 2,9 mil motos com irregularidades, demonstrando a continuidade das ações ao longo do ano.

