Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar do Paraná, com coordenação do Ministério Público estadual, resultou na prisão de seis pessoas na manhã desta sexta-feira (10). A ação visava desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas de alto valor agregado, conhecidas como "drogas gourmetizadas", utilizando plataformas digitais e redes sociais para a comercialização.

A ofensiva, que cumpriu 17 ordens judiciais (seis mandados de prisão e 11 de busca e apreensão), ocorreu simultaneamente em quatro cidades: Ponta Grossa, Maringá, Londrina e Curitiba. O apoio aéreo foi garantido por um helicóptero da Polícia Militar do Paraná (PMPR), demonstrando a complexidade logística da operação.

Além das prisões, os agentes apreenderam um arsenal que evidencia a sofisticação do esquema: R$ 4.380 em espécie, 10 aparelhos celulares, porções de maconha, haxixe, murruga, dry, ice, recipientes para armazenamento, 72 piteiras, três máquinas de cartão, duas balanças de precisão, embalagens do tipo zip-lock, duas motocicletas e uma caminhonete. Os materiais indicam uma operação com alto grau de organização e preocupação com a logística.

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O promotor Paulo Augusto Koslovski, do Ministério Público do Paraná (MPPR), explicou que esta é mais uma fase de investigações iniciadas em 2024. "Essa operação já contou com quatro ou cinco fases, sendo as primeiras delas já com processos encerrados, com todos os investigados já condenados. No último desdobramento, chegamos a novos alvos", detalhou. A persistência das investigações mostra um trabalho contínuo de desmantelamento da estrutura criminosa.

De acordo com o delegado Adilson José da Silva, da Polícia Civil do Paraná (PCPR), o grupo possuía funções bem definidas, com integrantes responsáveis pela administração das plataformas de venda, transporte dos entorpecentes, logística e movimentação financeira. "O grupo atuava na comercialização de entorpecentes de alto valor agregado, conhecidos como drogas gourmetizadas, que possuem elevada concentração de THC, potencializando seus efeitos psicoativos e alucinógenos", explicou.

A investigação revelou que as vendas ocorriam por meio de plataformas digitais, com a entrega sendo feita através de pacotes enviados pelos correios ou por serviço de delivery. Esse modus operandi aproveita a discrição e a capilaridade dos serviços de entrega para expandir o alcance do tráfico, dificultando a ação policial tradicional.

Um dos aspectos mais alarmantes descobertos foi a movimentação financeira do grupo. As apurações identificaram que os suspeitos movimentaram mais de R$ 4 milhões em contas bancárias vinculadas à organização, com indícios claros de lavagem de dinheiro. A sofisticação financeira é uma marca comum em organizações criminosas estruturadas.

O tenente-coronel Sérgio do Prado Nabozny, comandante do 1º Batalhão da PMPR, destacou a importância da integração entre as instituições. "O compartilhamento qualificado de dados entre PMPR, PCPR e Ministério Público, aliado à análise técnica de vínculos, fluxos financeiros e padrões operacionais, permitiu a identificação de uma estrutura criminosa complexa, com atuação digital e logística descentralizada, elevando a efetividade da resposta estatal no combate ao crime organizado", afirmou.

Todos os seis presos foram encaminhados ao sistema penitenciário, onde aguardam as próximas etapas do processo legal. A operação serve como um alerta sobre a evolução do crime organizado, que se adapta às novas tecnologias, e sobre a necessidade de respostas igualmente modernas e integradas por parte das forças de segurança.