Nesta quarta-feira (4), a Polícia Federal (PF) deu início à terceira fase da Operação Compliance Zero, uma ação de grande porte que investiga uma suposta organização criminosa envolvida em crimes graves. Desde as primeiras horas da manhã, os policiais federais estão em campo cumprindo mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com foco em endereços nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

De acordo com a PF, a operação visa apurar "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa". As investigações, que contaram com o apoio do Banco Central do Brasil, buscam desmantelar uma rede suspeita de atividades ilícitas que pode ter impactado o sistema financeiro e político do país.

Nesta fase, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, atingindo indivíduos ligados aos crimes investigados. Além disso, o STF determinou medidas cautelares rigorosas, incluindo o afastamento de cargos públicos de alguns dos investigados, o sequestro e o bloqueio de bens. O montante total dessas medidas chega a impressionantes R$ 22 bilhões, um valor recorde em operações desse tipo no Brasil.

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A PF justificou o bloqueio de ativos como uma forma de interromper "a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas". Essa estratégia visa impedir que recursos obtidos de maneira ilegal sejam dissipados ou usados para obstruir a investigação, garantindo que possam ser recuperados futuramente, se comprovada a origem criminosa.

A operação ganha ainda mais relevância ao se conectar a notícias recentes que envolvem figuras públicas e instituições financeiras. Por exemplo, há relatos de que o deputado Nikolas Ferreira viajou em jato de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, um nome que surge no contexto das investigações. Além disso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que o caso do Banco Master representa "uma pancada no sistema bancário brasileiro", indicando possíveis ramificações econômicas. Outro desdobramento foi a autorização do ministro Mendonça Filho, do STF, para o uso de jatinho da PF para transportar Vorcaro a depoimento, mostrando a complexidade e o alto nível das apurações.

Com a terceira fase da Operação Compliance Zero em andamento, a expectativa é que novos detalhes surjam nos próximos dias, esclarecendo o alcance da organização criminosa e seus impactos na sociedade brasileira. A PF segue trabalhando em sigilo para não comprometer as investigações, enquanto o STF monitora de perto o cumprimento das ordens judiciais. O caso reforça a importância da cooperação entre instituições no combate à corrupção e ao crime organizado no país.