Uma operação da Polícia Federal (PF) realizada na manhã desta quarta-feira (25) na capital paulista colocou sob investigação a instituição financeira BMP Money Plus por suspeita de facilitar a lavagem de dinheiro, inclusive de valores ligados a organizações criminosas. Batizada de Cliente Fantasma, a ação cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à empresa nas cidades de São Paulo e Barueri, no interior do estado.

As investigações, segundo a PF, ainda estão em andamento para identificar todos os envolvidos e dimensionar o volume total das fraudes. A operação se soma a uma série de ações recentes da corporação contra crimes financeiros, como o desvio de quase R$ 1 milhão da Caixa e a apreensão de R$ 9,5 bilhões do crime organizado em 2025.

A Polícia Federal apontou que, embora a instituição estivesse autorizada a operar pelo Banco Central, ela deixava de informar a identificação de seus clientes ao órgão regulador, o que contraria a Resolução 179 do Banco Central, publicada em 2022. Com isso, a BMP mantinha "clientes invisíveis" aos órgãos de controle, o que dificultava o rastreamento financeiro, a execução de bloqueios judiciais e a repressão às atividades ilícitas. Com essa invisibilidade, os clientes poderiam movimentar até bilhões em valores ilícitos, sem fiscalização adequada.

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Além disso, a instituição não realizava as comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que, segundo a Polícia Federal, contribuía para a ocultação da origem dos recursos movimentados por seus clientes. Os suspeitos poderão responder por crimes contra o sistema financeiro, omissão de informações e lavagem de capitais, com penas que podem incluir prisão e multas pesadas.

Por meio de nota, a BMP informou que "está colaborando integralmente com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos necessários, fornecendo todas as informações sobre as operações antigas de ex-clientes que foram objeto de apuração". A companhia disse ainda que "segue com a operação dos seus produtos normalmente", tentando acalmar os correntistas e o mercado.

A operação Cliente Fantasma destaca os desafios contínuos no combate à lavagem de dinheiro no Brasil, especialmente em um cenário onde instituições financeiras podem ser usadas como fachada para atividades criminosas. A Resolução 179 do Banco Central, que exige transparência na identificação de clientes, é uma das ferramentas recentes para fortalecer o sistema, mas sua aplicação ainda enfrenta resistência em alguns setores.

Especialistas em direito financeiro alertam que casos como este reforçam a necessidade de maior fiscalização e cooperação entre órgãos como a PF, o Banco Central e o Coaf. Enquanto isso, a população aguarda o desfecho das investigações, que podem revelar mais detalhes sobre o esquema e seus impactos na economia.