As forças de segurança do Rio de Janeiro realizaram, nesta quinta-feira (27), o quarto dia da Operação Barricada Zero, com ações em várias comunidades da capital e no Complexo de Israel, localizado na Cidade Alta, em Cordovil. Iniciada durante a madrugada, a operação envolveu o fechamento preventivo da Avenida Brasil por 40 minutos, nos dois sentidos, medida tomada para evitar que traficantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) atirassem do alto da comunidade em direção aos ônibus urbanos, como ocorreu em episódios anteriores que resultaram na morte de um homem a caminho do trabalho.

Com a chegada das equipes da Polícia Militar, os criminosos reagiram com troca de tiros e incendiaram barricadas e veículos para impedir o avanço policial. Como consequência, quatro unidades de saúde na região da Cidade Alta suspenderam temporariamente o atendimento à população por motivos de segurança. A área é comandada pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, que, segundo relatos, ordena ataques a ônibus como tática para desviar a atenção das operações policiais.

Em entrevista coletiva, o coordenador da operação, Edu Guimarães, destacou que algumas comunidades já estão livres das barricadas e enfatizou a importância do monitoramento contínuo. "Os órgãos do Estado do Rio e do município vão monitorar para garantir que essas barricadas não retornem. É importante que a população também participe ativamente desse monitoramento, principalmente a partir do Disque Denúncia. O canal está com um programa preparado para receber denúncias e repassar as informações para a coordenação da operação", afirmou Guimarães.

Publicidade
Publicidade

Somente neste quarto dia de ação, foram retiradas 318 toneladas de materiais usados para construir barricadas em comunidades da zona norte do Rio e em municípios como São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Mesquita e Queimados. Desde o início da operação, coordenada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), já foram removidas 1.500 toneladas de obstáculos, contribuindo para o enfraquecimento de organizações criminosas e a liberação de vias para os moradores.

Durante a manhã, criminosos tentaram impedir a atuação policial no bairro do Campinho, onde houve confrontos com tiroteios. Na Cidade Alta, incêndios em pneus e outros objetos foram usados como barreiras. O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, explicou: "Tivemos confronto nas comunidades do Campinho e do Fubá, mas conseguimos estabilizar o terreno e liberamos a região para o trabalho das equipes. Adotamos protocolos de segurança na Cidade Alta com o fechamento preventivo da Avenida Brasil para proteger e garantir a integridade física das pessoas".

Na região da Cidade Alta, a PM removeu oito veículos incendiados que serviam como barricadas e prendeu dois criminosos portando fuzis. Paralelamente, a Polícia Civil reforçou as investigações, resultando na prisão de dois homens responsáveis por atirar contra um servidor da prefeitura que auxiliava na retirada de barricadas no Corte Oito, em Duque de Caxias, durante o segundo dia da operação. O diretor do Departamento Geral de Polícia da Baixada Fluminense, delegado Gabriel Ferrando, declarou: "Prendemos, em menos de 24 horas, os dois homens envolvidos no disparo de arma de fogo que alvejou o operador de retroescavadeira numa comunidade em Duque de Caxias. A Polícia Civil vai continuar investigando todos os fatos relacionados à operação".

A Operação Barricada Zero reflete os esforços contínuos para combater o crime organizado no estado, com foco na desestruturação de barricadas que impedem o acesso de serviços essenciais e a mobilidade da população. A ação segue em andamento, com expectativa de mais avanços nos próximos dias.