Em meio a uma escalada militar no Oriente Médio que fechou uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo, os oito países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciaram neste domingo (1º) um aumento na produção do combustível fóssil em 206 mil barris por dia, a partir de abril de 2026. A decisão, tomada em reunião virtual, reverte parte dos cortes de 1,65 milhão de barris por dia estabelecidos em abril de 2023 e busca estabilizar o mercado internacional após dias de turbulência.
O anúncio ocorreu após a interrupção das exportações que passam pelo Estreito de Ormuz, importante rota de navios-petroleiros controlada pelo Irã. O fechamento do estreito no sábado (28), por questões de segurança, causou interrupções no abastecimento global, já que mais de 20% do fornecimento mundial de petróleo passa por essa via. A medida foi uma resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que começaram no sábado (28) e levaram Teerã a mirar bases desses países na região, algumas delas em produtores de petróleo.
Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã se reuniram virtualmente para analisar as condições e perspectivas do mercado global. De acordo com comunicado oficial, "os países continuarão monitorando e avaliando atentamente as condições de mercado e [...] reafirmam a importância de adotar uma abordagem cautelosa e manter total flexibilidade para aumentar, suspender ou reverter a eliminação gradual dos ajustes voluntários de produção". Os oito países voltarão a se reunir em 5 de abril para analisar a conformidade e a compensação.
O bloqueio do Estreito de Ormuz já causou impactos significativos. Publicações da agência de notícias Reuters e da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) dão conta que centenas de navios de transporte de petróleo bruto e Gás Natural Liquefeito (GNL) estão parados nas águas da região. Pelo menos 150 petroleiros ancoraram em águas abertas do Golfo Pérsico, enquanto dezenas de outros navios estão atracados do outro lado do estreito, impedidos de passar. As informações da Reuters estão baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.
Os preços do petróleo já haviam subido na sexta-feira (27) para US$ 73 por barril, o nível mais alto desde julho, devido aos temores de um conflito mais amplo no Oriente Médio. Especialistas avaliam que os ataques ao Irã podem levar a aumentos ainda maiores, dependendo da evolução da crise. Enquanto isso, o Irã afirma estar aberto a esforços para desescalada, segundo declarações de Omã, e os EUA negam que mísseis do Irã tenham atingido o porta-aviões Abraham Lincoln.
A decisão da Opep+ reflete a complexidade do cenário geopolítico e sua influência direta no mercado energético global. Com a produção adicional programada para 2026, a organização busca equilibrar a oferta em um momento de incertezas, mas mantém a porta aberta para ajustes conforme a situação se desenrolar nos próximos meses.

