O programa Olho Vivo, considerado o mais avançado sistema de monitoramento voltado à segurança pública no Brasil, segue expandindo sua rede pelo interior do Paraná. Nesta terça-feira (27), o estado atingiu a marca de 830 câmeras inteligentes instaladas, com a adição de 112 novos aparelhos nas regiões Oeste e Noroeste. O governo estadual tem acelerado o processo com o objetivo de concluir, até o final do primeiro trimestre, a instalação total das 1,5 mil unidades previstas nesta nova etapa, colocando todas em pleno funcionamento.
Na região Oeste, Cascavel é a cidade com o trabalho mais adiantado. Das 84 câmeras programadas, 54 já estão instaladas e energizadas, sendo que 50 delas estão integradas e operando na plataforma de monitoramento. Em Foz do Iguaçu, 34 das 70 câmeras previstas foram preparadas, com duas já energizadas e conectadas ao sistema. Em Guaíra, também no Oeste, e em Umuarama, no Noroeste, a instalação atingiu 50% das unidades planejadas: 8 de 16 no primeiro município e 16 de 32 no segundo.
O programa, que começou com foco em Curitiba, na Região Metropolitana (RMC) e no Litoral, expandiu sua implantação para outras regiões a partir de meados de janeiro. Cidades como Ponta Grossa (Campos Gerais), Guarapuava (Centro-Sul), Maringá (Noroeste) e Londrina (Norte) já receberam os equipamentos. Com a chegada ao Oeste, 21 municípios paranaenses estão sendo beneficiados pela instalação das câmeras. Até o momento, 55,3% do total de 1,5 mil equipamentos já foram instalados, sendo 51,1% energizados (766 unidades) e 46,5% integrados à plataforma (698).
A eficácia do sistema já pode ser medida por casos concretos. Na semana passada, duas ocorrências no Litoral tiveram participação crucial das câmeras do Olho Vivo. No dia 21, um homem acusado de violência doméstica em Antonina foi preso em Matinhos após ser rastreado pelas imagens. Dois dias depois, um carro furtado em São Paulo foi localizado em Pontal do Paraná graças ao monitoramento. Durante a temporada de verão, a tecnologia também auxiliou na prisão de uma quadrilha especializada em roubo de picapes, no desmantelamento de um ponto de venda de drogas em Pontal do Paraná e na captura de um casal de estelionatários que atuava na região.
Inspirado em iniciativas similares de países como Reino Unido, Singapura e Estados Unidos, o Olho Vivo é um dos maiores programas do tipo no mundo. No Reino Unido, por exemplo, existem cerca de 18 mil equipamentos. A meta do governo do Paraná é contar, quando o programa estiver em plena operação, com 26,5 mil unidades de monitoramento. Desse total, 5 mil já funcionavam na primeira fase, 1,5 mil estão sendo instalados pelo estado e outros 20 mil serão adquiridos pelos municípios por meio de parceria com a gestão estadual, em um investimento total de R$ 400 milhões.
A principal inovação desta fase é a ampliação do uso de inteligência artificial para a chamada "investigação assistida". As câmeras ganham maior autonomia com ferramentas de análise automática, reduzindo a dependência da observação humana direta. Os novos equipamentos possuem recursos como cruzamento de dados, imagens e inteligência artificial em tempo real, auxiliando as forças de segurança no reconhecimento de criminosos e suspeitos procurados, além da identificação de veículos de interesse.
O Olho Vivo é coordenado de forma integrada pela Secretaria da Segurança Pública, Secretaria das Cidades e pela Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados. Sua arquitetura tecnológica foi desenvolvida para operar em larga escala e em conformidade com a Lei Geral de Proteção aos Dados Pessoais (LGPD), garantindo a segurança das informações coletadas. O avanço do programa se alinha a uma redução de 40% nos homicídios no estado desde 2018, fruto de reestruturação das forças de segurança e maiores investimentos na área.

