O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, assinou nesta sexta-feira (27) a ordem de serviço para a construção do novo Mercado de Flores da Centrais Estaduais de Abastecimento (Ceasa) em Curitiba. Com um investimento de R$ 50 milhões, a obra promete transformar não apenas o comércio atacadista de flores, mas também criar um novo ponto turístico para a região Sul da capital paranaense. O projeto arquitetônico é assinado por Domingos Bongestabs, renomado arquiteto responsável por ícones como a Ópera de Arame e a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre).
"É o início de uma obra que será um novo cartão-postal de Curitiba: o Mercado de Flores, um projeto que visa ao turismo e, ao mesmo tempo, o fomento deste setor, que gera muito emprego e renda, não só para os produtores rurais e, em especial as mulheres, porque são elas a maioria que tocam essa produção, mas também para os permissionários, que fazem esse comércio e atendem toda Curitiba e a Região Metropolitana", destacou Ratinho Junior durante a cerimônia.
O governador enfatizou que o setor de flores no Brasil ainda está em fase de desenvolvimento, com enorme potencial de crescimento. "E aqui será uma área de lazer para quem mora em Araucária, Fazenda Rio Grande e também na região Sul da Capital. São R$ 50 milhões em investimento, fomentando ainda mais o crescimento da Ceasa, que gera hoje cerca de 6 mil empregos diretos. Com o Mercado de Flores, o objetivo é ampliar cada vez mais essa geração de oportunidades", acrescentou.
Esta é a maior intervenção recente em infraestrutura da Ceasa de Curitiba. O novo mercado contará com 4,8 mil metros quadrados (m²) de área construída, quase três vezes maior que os atuais 1,7 mil m². Com essa ampliação, o número de boxes passará de 42 para 84 unidades, dobrando a capacidade de comercialização. A estrutura utilizará metal e cobertura em vitral para privilegiar a iluminação natural, beneficiando as flores e plantas ornamentais. O visual remete a uma estufa, ao estilo do Jardim Botânico de Curitiba, e incluirá praça central, área de eventos, feiras do produtor e praça de alimentação.
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, afirmou que o espaço visa estruturar ainda mais a produção de flores no Estado. "Ela organiza e impulsiona toda cadeia produtiva. Além de ser um grande potencial gerador de turismo para Curitiba e o Estado, atraindo visitantes de todo o mundo, o projeto aponta um novo norte para o agronegócio paranaense. Ele mostra que há espaço para diversificação, agregação de valor e geração de renda ao produtor rural", opinou.
Nunes também destacou a importância da diversificação para manter as famílias no campo. "Nós precisamos garantir a sucessão familiar no campo. Hoje é difícil permanecer na atividade rural. O agricultor precisa de crédito com juros acessíveis, de seguro agrícola, de apoio e a diversificação é fundamental. Na produção de flores, hortifrutigranjeiros e outras culturas de maior valor agregado, há uma possibilidade real de aumento de renda, permitindo que filhos e filhas queiram permanecer no campo, garantindo a segurança alimentar do Paraná, do Brasil e do mundo", disse.
O diretor-presidente da Ceasa Paraná, Éder Bublitz, ressaltou que a obra representa um marco na história da instituição. "Mudará o rosto da nossa unidade. A Ceasa Curitiba deixará de ser apenas um local de comercialização para se tornar um verdadeiro ponto turístico para a região Sul de Curitiba. Queremos atrair visitantes e integrar este espaço ao roteiro da cidade, gerando orgulho para a comunidade do Tatuquara e novas oportunidades para nossos produtores e permissionários", declarou.
Diferente de outros mercados de flores no Brasil, como os de Campinas e Holambra, em São Paulo, que são focados apenas na venda, o novo espaço da Ceasa em Curitiba funcionará como um mix entre atacado e atrativo turístico, aberto ao público com opções de gastronomia e artesanato. O arquiteto Domingos Bongestabs explicou a motivação do projeto: "Será praticamente um monumento, um ícone. Não apenas vai ampliar as atividades da Ceasa nesta área, como também será um elemento de atração turística, trazendo pessoas, novos clientes e visitantes. Isso cria novas demandas e estimula o desenvolvimento da economia local".
Bongestabs detalhou ainda aspectos ambientais do projeto. "Isso tudo aliado a um centro de convivência para a população da região. Para se ter uma ideia, haverá em frente ao edifício uma praça de 12 mil metros quadrados, equipada para lazer, permanência e contemplação. Também estamos substituindo nove mil metros quadrados de concreto do pavimento atual por vegetação, o que reforça o caráter ambiental e paisagístico do projeto", concluiu.
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, salientou que o novo Mercado de Flores será um importante ponto turístico da capital. "O Mercado de Flores une produtor, atacadista e consumidor final. Além da geração de emprego, será um grande espaço de gastronomia e mais um ponto turístico para a região Sul. É uma obra importante que fortalece a união entre Estado, Ceasa e Prefeitura", comentou.
O secretário de Estado das Cidades, Guto Silva, lembrou que o investimento se soma a outros realizados em parceria com a prefeitura. "Quando somamos os contornos e as obras urbanas, ultrapassamos R$ 1,5 bilhão em investimentos. É uma nova reconfiguração desse eixo metropolitano da cidade, para desafogar o trânsito e melhorar o dia a dia da população. Essa obra da Ceasa coroa todo esse trabalho. Não é apenas uma intervenção de mobilidade, mas também um projeto que vai transformar a região Sul de Curitiba em um novo centro de turismo e de serviços", explicou.
O investimento de R$ 50 milhões no mercado de flores se soma a uma série de melhorias nas unidades da Ceasa pelo Estado. Em Curitiba, o Mercado do Produtor foi reformado com investimento de R$ 7,75 milhões, e o Pavilhão D, destruído por um incêndio em 2024, está sendo reconstruído. Unidades em Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina e Maringá receberam R$ 80 milhões em obras nos últimos oito anos.
Em 2024, a floricultura paranaense movimentou R$ 271,7 milhões no Valor Bruto de Produção (VBP), um incremento de 6% frente ao ciclo anterior. Os municípios com maior destaque são Marialva, São José dos Pinhais, Agudos do Sul, Mandaguari e Piên. Gramados lideram as vendas, com 60,6% do total, seguidos por plantas perenes ornamentais, orquídeas e crisântemos.
Bublitz defende que o novo mercado servirá de incentivo para ampliar a produção. "A flor é a atividade agrícola que mais gera renda por hectare. Hoje o Paraná importa cerca de 95% das flores que consome. Portanto, é uma oportunidade de entrar de forma competitiva em um mercado bilionário, gerando renda, emprego e fixando jovens e mulheres no campo", arrematou.
A Ceasa Paraná administra cinco unidades atacadistas com 658 empresas permissionárias e 7,2 mil agricultores cadastrados, sendo 1,7 mil ativos. Anualmente, são comercializadas cerca de 1,3 milhão de toneladas de hortigranjeiros. A cerimônia de assinatura da ordem de serviço contou com a presença de secretários estaduais, o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, o prefeito de Holambra (SP), Fernando Henrique Capato, e outras autoridades.

