A nova presidenta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, assumiu o cargo com uma missão clara: recuperar a confiança da população no órgão. Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, ela afirmou que sua principal meta é fazer com que os brasileiros voltem a acreditar no serviço previdenciário, enquanto acelera a análise de benefícios e moderniza os sistemas internos. "Minha principal missão é que a população volte a acreditar no INSS", declarou.

Segundo Silveira, a nova direção do INSS aposta em uma combinação de tecnologia, gestão eficiente e valorização dos servidores para melhorar o atendimento aos milhões de brasileiros que dependem dos serviços. O objetivo é garantir um sistema mais ágil, estável e acessível, enfrentando desafios históricos como as longas filas de espera.

Um dos pontos centrais da gestão é esclarecer a diferença entre o volume total de processos e a chamada "fila real" de análise. A presidente explicou que, dos 2,7 milhões de processos atualmente no órgão, cerca de 1,3 milhão correspondem a novos pedidos de benefícios que entram mensalmente, e outros 500 mil dependem de ação dos segurados, como apresentação de documentos ou comparecimento às agências. Com isso, o volume de processos em atraso ficaria em torno de 900 mil. "Hoje a fila de verdade é menos de 1 milhão de requerimentos", afirmou Silveira.

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Medidas recentes, implementadas desde o início do ano, já reduziram em 130 mil processos o estoque de pedidos, graças a mutirões regionais e novas ferramentas digitais. A estratégia de modernização envolve uma parceria reforçada com a Dataprev para melhorar a estabilidade dos sistemas, além de reuniões semanais para monitorar o funcionamento das plataformas.

Entre as ações em curso estão a melhoria do aplicativo Meu INSS, tornando-o mais intuitivo, e o desenvolvimento de ferramentas que agilizam o trabalho dos servidores. "Sou servidora de carreira, então eu conheço os fluxos de trabalho. Com esse olhar, a gente vai conseguir otimizar, trazer mais rapidez", disse a presidente. Soluções como o novo Atestmed, que acelera análises documentais, e a Perícia Conectada, que amplia o atendimento em regiões remotas, também foram citadas como exemplos de avanço.

Os mutirões regionais seguem como estratégia central para reduzir a fila, especialmente em áreas com maior demanda reprimida, como as regiões Norte e Centro-Oeste. "O mutirão funciona, o mutirão reduz a fila. A escolha é feita justamente onde tem mais demanda", afirmou Silveira. As ações priorizam benefícios por incapacidade e assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Em relação à biometria, a presidente esclareceu que a exigência da Carteira de Identidade Nacional (CIN) para novos benefícios a quem não tem nenhum registro biométrico, que inicialmente entraria em vigor em 1º de maio, foi adiada para 1º de janeiro de 2027. "Não vai haver cessação de benefício, corte de benefício por conta da biometria. Não precisa pânico", afirmou, desmentindo fake news que circulavam sobre o tema. Ela ressaltou que a maioria dos brasileiros já tem dados biométricos cadastrados em bases como a Justiça Eleitoral, Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e passaporte.

Por fim, Silveira orientou a população a ficar atenta a golpes. "Para não incorrer em fake news. Os segurados não devem clicar em links quando receber SMS ou WhatsApp". Em caso de dúvidas, a recomendação é ligar para o número 135 ou procurar qualquer agência do INSS.