Os jardins do Museu da República, no bairro do Catete, zona sul do Rio de Janeiro, vão ganhar uma nova unidade do Museu do Folclore Edison Carneiro. Nesta sexta-feira (13), foi assinado um acordo entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) para a construção de um novo prédio, que permitirá a expansão do museu dedicado à cultura popular e aos artesãos de todo o país.
O anúncio ocorreu paralelamente à inauguração de um mural em homenagem ao folclorista Edison Carneiro, no mesmo bairro, marcando também os 65 anos do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). A nova unidade será erguida em uma pequena área do jardim do Museu da República, adjacente à atual sede do Museu do Folclore, que funciona na antiga Casa da Guarda.
Investimento e previsões
De acordo com o presidente do Iphan, Leandro Grass, serão investidos entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões na iniciativa, incluindo a reforma da sede e de unidades do CNFCP, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é de que a licitação seja concluída ainda este ano. "Vamos expandir tanto o museu quanto a reserva técnica, colocar à disposição da população e dos pesquisadores, e dar amplitude ao que já é oferecido hoje", prometeu Grass.
O acordo, segundo ele, é o sinal verde para a contratação do projeto executivo, que será conduzido pelo instituto. O novo prédio pretende integrar unidades do CNFCP, guardar e exibir reserva técnica, ampliar a área dedicada à pesquisa e oferecer um programa educativo, com espaço para auditório e recepções.
Demanda histórica e acervo
O diretor do CNFCP, Rafael Barros, afirmou que o novo espaço é uma demanda de 20 anos. "A nossa reserva [técnica], hoje, possui mais de 20 mil objetos. É a maior reserva de cultura popular e, infelizmente, não tem as condições técnicas adequadas para guarda e conservação", explicou. Com a obra, Barros espera triplicar a área de reserva e ampliar visitas e pesquisas ao material.
"Nossa ideia é que tenha paredes de vidro, para que o público, os moradores, os turistas, todas as pessoas que circulam pelo Museu da República, possam também conhecer e visualizar esse acervo", adiantou durante o evento. Para Barros, o diferencial do Museu do Folclore é conectar o público às suas origens, e a cultura popular é fundamental para a identidade brasileira. "A cultura popular é o fundamento da nossa identidade, é aquilo que nos constitui na singularidade e na diversidade e que conforma esse imenso país continental", destacou.
Valorização do patrimônio
A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, também ressaltou a importância da iniciativa. "O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular ter um espaço para reserva técnica significa preservar a memória de manifestações culturais que vêm do povo, e o que vem do povo deve orientar as políticas públicas", afirmou. Ela vê o projeto como um passo para valorizar um patrimônio brasileiro que deve estar acessível ao público.
O CNFCP, que abriga o Museu do Folclore Edison Carneiro, foi fundado no final da década de 1950 e hoje está vinculado ao Iphan. A unidade atual conta com 17 mil objetos e 200 mil documentos bibliográficos e audiovisuais, além de exposições, área de pesquisa e uma loja. Funciona todos os dias, exceto às segundas-feiras, das 11h às 17h, na Rua do Catete, 179, no Rio de Janeiro.

