Desde sua reinauguração em 26 de agosto deste ano, o Museu da Escola Paranaense (MEP), em Curitiba, vive um momento de efervescência. Em pouco mais de três meses, a instituição já recebeu mais de mil visitantes e registrou um crescimento impressionante de 20% em seu acervo. O que começou como um sonho agora se consolida como uma realidade concreta, dedicada a preservar a memória da educação pública do Paraná.
"Esse resultado me dá a certeza de que o trabalho não foi em vão. Estamos no caminho certo e preservar a memória da educação vale muito a pena. As peças podem envelhecer, mas a história não", afirma Vânia Maria Pereira Machado, diretora do Museu, localizado na Rua Bispo Dom José, 2006, no bairro Batel. A satisfação é compartilhada pelo secretário estadual da Educação, Roni Miranda, que destaca a importância do espaço para pesquisadores, professores e estudantes: "É um lugar para que os nossos pesquisadores, professores e estudantes tenham a oportunidade de conhecer a história da educação no Estado, como ela se constituiu e como vem evoluindo ao longo do tempo".
Vinculado à Secretaria de Estado da Educação (Seed), o MEP tem atraído um público diversificado. Escolas das redes municipal, estadual e privada, além de alunos e professores universitários, lotam a agenda do local. A motivação para a visita varia entre a curiosidade pelas raridades em exposição, o ambiente que remonta a várias décadas da educação paranaense e o uso do acervo como objeto de pesquisa acadêmica.
"Além da questão tridimensional, que são as peças museais, também temos o acervo documental, livros, papel fotográfico. Tudo vira objeto de pesquisa para alunos de História, de Pedagogia. É a história que vai sendo contada a partir do material didático de cada período", explica Vânia. Essa riqueza de materiais transforma o Museu em um verdadeiro laboratório para o estudo da evolução educacional no Estado.
O crescimento do acervo nos primeiros meses após a reabertura é atribuído pela diretora à maior visibilidade da instituição. "O local foi aberto, as pessoas foram vindo, geralmente alguém tem algum objeto antigo em casa e nos doa. Um caderno, uma cartilha, um quadro de formatura. E vamos avaliando o que pode ser incorporado ao acervo. Se continuar assim, vai faltar espaço", brinca Vânia. Esse fluxo de doações tem ampliado as coleções com itens como mobiliário escolar, microscópios, projetores de diferentes épocas, material didático (cartilhas, dicionários, livros), relógios e uma série de mimeógrafos – ferramentas que eram comuns nas escolas antes da popularização das impressoras e conhecidas pelo característico cheiro de álcool nas cópias.
Para muitos visitantes, esses objetos despertam memórias afetivas. "Minha mãe foi professora e eu me lembro desse cheiro como um sabor de infância e adolescência", conta a professora Cristina Pereira, uma das milhares de pessoas que passaram pelo Museu em 2025. Cada peça, datada por ano ou década, ajuda a contar a história da educação no Paraná, desde projetores de slides (são pelo menos 14 modelos diferentes na instituição) até utensílios da merenda, uniformes e trajes de gala usados em antigos bailes escolares.
O próprio prédio do Museu é uma "peça de museu": tombado pelo Patrimônio do Estado, abrigou o Colégio Estadual Cruz Machado entre 1907 e 1925. "Tudo é sinônimo de preservação por aqui, do patrimônio ao acervo. Nas carteiras de madeira produzidas por uma única empresa que copiava os modelos dos catálogos que vinham da Europa, há temporalidade e intenção em cada período. Vidrarias, os antigos laboratórios dos ginásios. Então, o Museu é feito de coleções", ressalta a diretora.
Estruturalmente, o MEP é composto por três salas de exposição. O hall de entrada exibe fotografias antigas de alunos em preto e branco, dispostas como um álbum de retratos para criar uma atmosfera que remete às memórias afetivas de cada época. Um espaço cenográfico com mobiliário das décadas de 1940 e 1950 convida o público a reviver o tradicional registro fotográfico escolar, enquanto uma sala de aula reproduzida reúne carteiras de várias épocas e objetos de estudo de todas as disciplinas, como ábacos, material didático e enciclopédias.
O Museu da Escola Paranaense funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 13h e das 14h às 17h. Para visitas escolares, é necessário agendamento prévio pelo e-mail mep_agendamentos@escola.pr.gov.br ou pelo telefone (41) 3163-0066. O endereço é Rua Bispo Dom José, 2006, no bairro Batel, em Curitiba. Com seu sucesso inicial, a instituição se consolida como um polo de preservação da história educacional, atraindo tanto quem busca nostalgia quanto quem valoriza a pesquisa e a memória coletiva.

