No coração do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a pesquisa científica pulsa com força e diversidade. Mais do que números e previsões, a instituição que há décadas monitora o tempo e os recursos hídricos do estado tem um pilar fundamental: o desenvolvimento de projetos que protegem a sociedade e o meio ambiente. E neste cenário, as mulheres ocupam espaço crescente e decisivo.

Atualmente, 36% dos funcionários do Simepar são mulheres – um percentual que se torna ainda mais significativo quando se observa que há mais bolsistas mulheres do que homens atuando em todas as áreas da instituição. Este protagonismo feminino ganha destaque especial no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, data instituída pela Unesco para promover acesso e participação igualitários nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

Geointeligência: do passado do Rio Iguaçu ao fundo do mar

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Os setores com maior presença feminina no Simepar são a Geointeligência e a Hidrologia. Na Geointeligência, gerenciada pela especialista em Sensoriamento Remoto Elizabete Peixoto, a pesquisadora Leslie Chumbe reconstrói a evolução histórica da qualidade ambiental do Rio Iguaçu ao longo dos últimos 150 anos. Ela analisa sedimentos que atuam como arquivos ambientais, integrando marcadores geoquímicos e moleculares para avaliar a carga histórica de nutrientes e matéria orgânica – incluindo análise de DNA de comunidades bacterianas.

"A pesquisa identifica como as transformações antrópicas influenciaram a dinâmica e a saúde do ecossistema fluvial", explica Chumbe, cujo trabalho correlaciona mudanças no uso do solo na bacia hidrográfica com a qualidade das águas ao longo de um século e meio.

Já Andressa Cavassim estuda para o mestrado as dinâmicas do ciclo de crescimento da cana-de-açúcar através de imagens de satélite. Utilizando dados do índice de vegetação (NDVI) e técnicas de aprendizado de máquina, ela compara algoritmos capazes de reconhecer padrões. "O trabalho contribui para tornar o acompanhamento das lavouras de cana-de-açúcar mais eficiente, e para melhorar o monitoramento da pastagem e da vegetação nativa ao longo do tempo", afirma a pesquisadora.

Outro estudo comparativo na Geointeligência é desenvolvido por Bruna Rezende, que analisa modelos de aprendizagem de máquina para estimar vazões de pico em pequenas bacias rurais. "As vazões máximas representam os picos de água que ocorrem nos rios durante chuvas intensas e são fundamentais para o planejamento de estruturas de conservação do solo e da água", explica.

As técnicas de inteligência artificial também são a base do trabalho de Arcélia Portilla, que mapeia o fundo do mar no Complexo Estuarino de Paranaguá. "O objetivo final é criar mapas que sigam os padrões de segurança da marinha, trazendo segurança na navegação e auxiliando na gestão portuária e proteção ambiental", ressalta a pesquisadora.

Hidrologia: da previsão de cheias ao monitoramento da seca

Na equipe de Hidrologia, Maria Fernanda Dames dos Santos Lima estuda modelagem hidrológica e previsão de vazões em bacias hidrográficas para seu doutorado em Engenharia Ambiental. "No Simepar, esse trabalho se conecta diretamente ao desenvolvimento e à operação de sistemas de monitoramento e previsão hidrometeorológica", conta a pesquisadora.

Danieli Mara Ferreira, doutora em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental, desenvolve previsões e análises voltadas ao planejamento e à gestão dos recursos hídricos. "Integro aspectos quantitativos e qualitativos da água, utilizando modelagem hidrológica, hidráulica, hidrodinâmica e técnicas de aprendizado de máquina para apoiar a interpretação dos processos naturais", explica.

Entre as bolsistas da hidrologia, Maria Clara Pontello analisa métodos de regionalização hidrológica em bacias do Paraná. "A regionalização hidrológica permite transferir informações de rios monitorados para locais sem monitoramento, possibilitando a estimativa de vazão e nível do rio em pontos de interesse", detalha.

Violet Ishak, mestre em Engenharia Ambiental, pesquisa o impacto das mudanças climáticas nas médias mensais de precipitação. "Para reduzir erros sistemáticos dos modelos climáticos, foram aplicados métodos estatísticos de correção de viés, com o objetivo de obter séries de precipitação mais próximas da realidade", afirma.

Já Karollyn Larissa de Quadros monitora a seca, incluindo "a análise do papel da temperatura e da evapotranspiração na intensificação da falta de água, bem como a análise de riscos associados a chuvas extremas".

Meteorologia: do nowcasting à proteção de infraestruturas

Na operação de nowcasting (previsão do tempo em curtíssimo prazo), quatro mulheres atuam entre sete homens nos plantões do Simepar: a gerente Sheila Paz, mestre em Sensoriamento Remoto, e as meteorologistas Raissa Pimentel, Bianca de Ângelo e Júlia Munhoz.

Entre as pesquisadoras da meteorologia, Fernanda Verdelho estuda eventos de tempo extremo e seus impactos sobre a vida das pessoas e sobre infraestruturas essenciais. "Meu foco é integrar dados meteorológicos e geoespaciais para transformar grandes volumes de informação em produtos claros e aplicáveis", explica a meteorologista e cientista de dados.

Jhoseny Souza Santos realiza análise de dados de torres anemométricas do Nordeste Brasileiro, enquanto Débora Terra estuda para o mestrado a eletrificação de nuvens utilizando dados de radar meteorológico e inteligência artificial. "A pesquisa auxilia na melhoria do monitoramento de raios, o que favorece a emissão de alertas", destaca.

Por trás de todo este trabalho, as profissionais da Tecnologia da Informação do Simepar prestam apoio essencial. Mulheres como Ana Paula Rocha e Luciane Pinheiro lideram projetos e auxiliam na análise de dados meteorológicos e processamento de informações indispensáveis para a operação de todos os outros setores da instituição.

Do monitoramento das águas à previsão do tempo, das imagens de satélite aos algoritmos de inteligência artificial, as pesquisadoras do Simepar demonstram que a ciência ambiental no Paraná tem rosto, voz e expertise feminina – contribuindo não apenas para a produção de conhecimento, mas para a proteção concreta da sociedade e do meio ambiente.